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Erosão na Praia da Macumba: abaixo-assinado pede solução definitiva

04/08/2026

As marcas deixadas pelas ressacas na Praia da Macumba já fazem parte da paisagem do Recreio dos Bandeirantes. De 2005 para cá, trechos do calçadão desabaram, quiosques foram atingidos e obras emergenciais se repetiram na tentativa de conter o avanço do mar. Sem uma solução definitiva, moradores resolveram se mobilizar para lançar um abaixo-assinado na plataforma Change.org. A ideia é cobrar a realização de uma audiência pública e a criação de uma Câmara Técnica que discuta alternativas para estabilizar a embocadura do Canal do Rio Morto e conter a erosão costeira.
A expectativa é reunir representantes do poder público, universidades, entidades ambientais e sociedade civil para analisar projetos e definir uma intervenção permanente para a região.
— Precisamos parar de apagar incêndio e resolver esse problema de uma vez por todas. Os frequentadores da Praia da Macumba estão sempre sob tensão — afirma o idealizador da petição, Abílio Fernandes, ex-gestor do Parque da Prainha.
Essa cobrança retoma uma discussão antiga. Em 2017, uma forte ressaca destruiu parte do calçadão, comprometeu a Estrada do Pontal e chegou a ameaçar imóveis na orla. Para o comerciante e surfista Rico de Souza, que acompanha a evolução da praia desde a década de 1960 e mantém um quiosque na região há mais de 20 anos, os reparos executados até agora apenas adiam uma ação necessária.
— A prefeitura já fez algumas obras emergências. Conserta um pedaço e depois vai embora outra vez. É preciso uma obra que faça diferença de verdade. Essa praia tem um potencial turístico enorme, mas precisa de mais carinho do poder público — diz.
Embora reconheça os impactos na infraestrutura, o geólogo Francisco Dourado, coordenador do Centro de Pesquisas e Estudos sobre Desastres (Cepedes/Uert), pondera que existe uma dinâmica da faixa de areia que precisa ser reconhecida e defende a necessidade de estudos do caso.
— Conhecendo o passado e o presente, podemos pensar no planejamento futuro. São necessários estudos para entender qual solução tomar — explica.
Procurada, a Secretaria do Patrimônio da União informou que a Praia da Macumba não integra o Termo de Adesão à Gestão de Praias (TAGP) — instrumento usado para transferir ao município a gestão do território federal — e afirmou apenas que eventuais intervenções seguem diretrizes nacionais de prevenção e proteção à erosão costeira.
Já a prefeitura não respondeu aos questionamentos da reportagem até a publicação desta reportagem.

Fonte: O Globo

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