
20/08/2026
Uma planta resistente a ambientes áridos pode se tornar uma alternativa à madeira usada na fabricação de lenços e toalhas de papel e papel higiênico. A hesperaloe, uma suculenta de folhas compridas, está sendo estudada pela Kimberly-Clark como matéria-prima para substituir a fibra de madeira presente atualmente em produtos de marcas como Scott, Huggies e Cottonelle. A descoberta foi relatada pelo Wall Street Journal e é resultado de duas décadas de estudo da empresa. Craig Slavtcheff, diretor de pesquisa e desenvolvimento, classificou a possibilidade como “ideal”. Ele ressaltou que os testes em escala comercial ainda estão em andamento.
A busca por uma alternativa à madeira está relacionada principalmente aos impactos ambientais da cadeia de produção. A substituição poderia reduzir a dependência do desmatamento e da exploração madeireira, além de contribuir para a manutenção de ambientes arbóreos e reduzir potencialmente os custos. O cultivo da hesperaloe em regiões áridas também traz outros benefícios. Por demandar menos água, a planta poderia representar uma alternativa em um cenário de aquecimento do clima e, ao mesmo tempo, oferecer uma forma economicamente viável de combater a desertificação. A redução das áreas desmatadas ainda contribui para retirar centenas de milhares de toneladas adicionais de CO2 da atmosfera a cada ano em países com grandes florestas, como Canadá e Suécia.
Chegar à hesperaloe, porém, exigiu uma longa investigação. A Kimberly-Clark já investiu 250 milhões de dólares e 20 anos de trabalho de campo e laboratório na busca por uma matéria-prima alternativa. Ao longo desse período, a equipe testou 70 substâncias diferentes. “Tentamos transformar tudo em polpa, desde palha de madeira até bambu”, disse Jeff Melucci, principal executivo de estratégia da Kimberly-Clark, ao veículo The Wall Street Journal. A hesperaloe chamou a atenção da equipe por crescer em uma instalação agrícola experimental abandonada do estado no Arizona.
A empresa ainda não tem uma estimativa dos custos de uma cadeia de suprimentos comercialmente viável que envolva desde a produção da celulose até o processamento da matéria-prima. Segundo Slavtcheff, porém, os primeiros testes indicam que a hesperaloe pode ser competitiva com a indústria madeireira. Mas a possível substituição também enfrenta um desafio comum a novas matérias-primas, o de alcançar a eficiência de cadeias produtivas que passaram décadas sendo aperfeiçoadas. Madeira e plástico, por exemplo, contam com anos de conhecimento de mercado e melhorias incrementais acumuladas, uma vantagem que novas tecnologias ainda não possuem.
Fonte: CicloVivo
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