
20/08/2026
Os incêndios florestais que devastaram regiões da Europa, já considerados os maiores da história recente em algumas localidades, chamam a atenção em todo o mundo. O fogo avançou com rapidez e atingiu inúmeras residências, o que fez com que centenas de milhares de pessoas tivessem que deixar suas casas.
No Brasil, o período mais complexo para a temporada de fogo começou neste mês e vai até outubro. Além disso, há um El Niño que, segundo cientistas, deve ter força elevada nos próximos meses.
Em meio a esses cenários, surge uma pergunta: o que difere os incêndios registrados na Europa dos que se tornaram frequentes no Brasil? A reportagem ouviu especialistas que explicaram semelhanças e diferenças desses fenômenos.
No Brasil ou na Europa, as origens desses incêndios são semelhantes. Eles surgem de uma combinação entre falta de chuva, ar seco e ondas de calor.
"Isso forma um domo de calor, ou bolha de ar quente, que impede que as frentes frias e as chuvas entrem. Com isso, forma-se um ambiente seco e com vento de alta velocidade. Essa combinação é o que propaga os incêndios nos dois casos", explica José Antonio Marengo, coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
Essa combinação é impactada pelos eventos climáticos, como a chegada do El Niño, que deve ganhar força nos próximos meses e pode atingir a categoria forte ou muito forte. No Brasil, a perspectiva é de que o fenômeno, que altera padrões de chuva e temperaturas, possa piorar o cenário de incêndios.
Já o fogo na Europa, segundo especialistas, não teve impacto desse fenômeno.
"O El Niño influencia o clima em todo o planeta. Mas esse evento começou agora, então os atuais incêndios da Europa não estão relacionados a ele. Eles estão associados, principalmente, ao aquecimento global", explica o meteorologista Gilvan Sampaio, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Os fenômenos climáticos impulsionam a propagação do fogo, que muitas vezes são iniciados na produção rural. Neste ano, uma das causas apontadas para os incêndios florestais na França e na Espanha foi o contato de máquinas com a vegetação seca na monocultura.
No caso da Europa, especialistas apontam que grande parte desses incêndios não ocorre de maneira intencional. "Por lá, há muito menos pessoas colocando fogo ou iniciando incêndios, como aqui no Brasil", diz a geógrafa Ane Alencar, diretora de ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).
No Brasil, o fogo começa, na imensa maioria das vezes, por ação humana, de forma voluntária ou involuntária. Um problema do país, diz Marengo, é o uso indevido do fogo por parte de produtores rurais para preparar o terreno. "Com uma atmosfera muito seca e matéria seca acumulada, esse fogo sai do controle e se espalha."
As grandes proporções desses incêndios pelo mundo têm sido atribuídas às mudanças climáticas, que favorecem condições meteorológicas extremas. "As situações que ajudam esses incêndios podem ser associadas ao aumento da temperatura no planeta", avalia Marengo.
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