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Como o clima pode ter agravado enchente no Grand Canyon

03/09/2026

Enchentes repentinas no Grand Canyon, o enorme e famoso desfiladeiro dos Estados Unidos, levaram a ao menos duas mortes e ao resgate de cerca de 80 pessoas no último fim de semana. Outra permanece desaparecida, disseram autoridades nesta terça-feira (1º), enquanto avançam trabalhos de busca e resgate.
A inundação ocorreu na tarde de sábado, na trilha mais popular do Parque Nacional do Grand Canyon, localizado no estado do Arizona, e na zona que abriga um alojamento histórico aos pés das formações rochosas. O parque é o quarto mais visitado dos EUA, tendo recebido mais de 4,4 milhões de visitas recreativas em 2025.
As águas arrastaram grandes rochas e destroços em direção ao Rio Colorado, destruíram vias de passagem e causaram estragos significativos na infraestrutura do parque.
Autoridades advertiram para a previsão de novas chuvas e tempestades, que podem provocar mais inundações repentinas na região. O fenômeno é um risco já conhecido para os visitantes do Grand Canyon, especialmente perigoso no verão do Hemisfério Norte.
Mas, neste ano, outros fatores ligados ao clima podem ter agravado as enchentes e as suas consequências. Dentre eles, incluem-se os vestígios de um incêndio florestal do ano passado, uma seca persistente na região e o El Niño.
O verão nos EUA corresponde ao período de monções, a estação chuvosa da região. Dias de céu limpo podem rapidamente dar lugar a tempestades e chuvas intensas, numa região de deserto que tem cerca de 300 dias de sol ao ano.
O governo estadual do Arizona explica que, em média por volta de 15 de junho, os ventos predominantes começam a mudar, passando de um fluxo seco do oeste para um fluxo úmido do sul.
Durante esse período, a pressão na camada superior da atmosfera aumenta e, com o influxo de umidade trazido pelas mudanças na direção do vento, essas condições favorecem a formação de tempestades, principalmente nas regiões montanhosas, onde o ar é forçado a subir.
As precipitações são importante para o ecossistema: reabastecem lençóis freáticos, aliviam o calor extremo e sustenta a vida selvagem, fazendo florescerem as plantas do deserto, acrescenta o serviço de parques e trilhas do Arizona.
Ao mesmo tempo, trazem riscos para as pessoas e para as paisagens. O que seria uma chuva forte de verão em outro lugar pode se transformar em uma poderosa parede de água no interior do Grand Canyon.
Choveu diversas vezes antes da tempestade mais intensa, que durou cerca de 30 minutos na tarde de sábado. As chuvas atingiram parte da cicatriz deixada pelo incêndio Dragon Bravo, provocado por um raio em julho de 2025.
Na ocasião, o fogo queimou durante dias antes de se transformar em um grande incêndio florestal de rápida propagação. Evacuações foram necessárias, e acabaram destruídas uma histórica acomodação da região, além de cabanas e outras estruturas.
Sem vegetação, as áreas queimadas podem ter permitido que a água escoasse mais rapidamente, por terem reduzido a sua capacidade de absorver chuva, que já é limitada em ambientes áridos e de vegetação escassa como o Arizona.
O Grand Canyon vive ainda um período de vários anos de seca, que fizeram com que os níveis do Rio Colorado atingissem mínimas históricas recentemente. Especialistas associam o fenômeno às mudanças climáticas, e ele pode também ter potencializado o impacto das enchentes deste fim de semana.

A matéria na íntegra pode ser lida no g1

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