
22/09/2026
Uma nova tecnologia desenvolvida por cientistas chineses pode reduzir significativamente a quantidade de energia usada para transformar petróleo bruto em produtos como gasolina, diesel e plásticos. Chamada de “refino molecular”, a técnica separa os diferentes componentes presentes no petróleo em temperatura ambiente, sem a necessidade de fervê-los repetidamente. Em testes de laboratório, o método consumiu 91% menos energia. O resultado ainda precisa ser validado em escala industrial, mas aponta para uma possível redução dos custos e das emissões associadas ao refino.
Para entender a novidade, é preciso considerar que o petróleo bruto não é uma substância única. Ele é formado por uma mistura de diferentes moléculas, que precisam ser separadas para que possam dar origem a produtos distintos. Atualmente, a principal forma de fazer isso é por meio da destilação, um processo que aproveita as diferenças entre os pontos de ebulição dessas substâncias. Na prática, o petróleo é aquecido e fervido diversas vezes para que seus diferentes componentes se separem, o que exige grandes quantidades de calor e, consequentemente, de energia.
Os pesquisadores do Instituto de Física Química de Dalian, no norte da China, desenvolveram uma alternativa para essa separação. Em vez de aquecer a mistura, eles utilizam membranas químicas que funcionam como peneiras em escala molecular. Cada uma delas é projetada para deixar passar determinadas moléculas e reter outras, direcionando os diferentes componentes para recipientes distintos. Alcanos de cadeia linear e com uma única ramificação, utilizados na produção de etileno, por exemplo, conseguem atravessar uma das membranas por terem tamanho diferente dos alcanos com múltiplas ramificações e dos cicloalcanos, empregados na fabricação de gasolina.
A diferença de tamanho entre esses grupos de moléculas, no entanto, é de apenas um centésimo de nanômetro. Por isso, as duas membranas precisaram passar por ajustes contínuos até alcançar a precisão necessária. Depois de aperfeiçoá-las, os pesquisadores fizeram testes com uma mistura leve e adocicada de petróleo bruto contendo 15 substâncias químicas diferentes. Em laboratório, a amostra foi separada em três grupos de produtos de alto valor agregado, com taxa de recuperação entre 85% e 90%, segundo os autores de um estudo publicado na revista National Science Review.
O ganho energético ocorre porque a nova técnica dispensa três etapas que exigem muito calor: ferver, vaporizar e condensar o material. A descoberta ainda está restrita ao ambiente de laboratório, portanto não é possível afirmar que seja escalável para a indústria global de derivados de petróleo. O petróleo bruto e seus produtos refinados são insumos para a fabricação de milhares de bens, de diferentes níveis de complexidade, algo que ganhou visibilidade após o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do combustível fóssil bruto mundial.
A redução do consumo energético pode ter impacto relevante nas emissões do setor. Uma estimativa publicada em 2021 apontou o refino de petróleo como o terceiro maior contribuinte estacionário para as emissões globais de CO2, com cerca de 1,3 gigatoneladas por ano. No auge, o setor chegou a responder por aproximadamente 4% das emissões globais de CO2 relacionadas à atividade humana. O volume é superior ao gerado por grandes meios de transporte, como o marítimo e a aviação, o que ajuda a dimensionar o impacto que o refino molecular poderia ter caso a tecnologia venha a ser implementada em larga escala.
Fonte: CicloVivo
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