
29/09/2026
A Indonésia combate, há semanas, incêndios florestais que devastaram vastas áreas de florestas e turfeiras, e que geraram uma densa nuvem de fumaça tóxica que também afeta Malásia e Singapura.
O fogo afeta tanto a população quanto a vida selvagem e levou o governo indonésio a tomar ações judiciais, suspender licenças e criar uma agência especializada na prevenção desse tipo de desastre.
Somente entre janeiro e julho, mais de 202 mil hectares foram devastados pelo fogo, segundo dados oficiais.
Trata-se de uma área equivalente a quase três vezes o tamanho da capital Jacarta e representa um aumento de 69% em relação ao mesmo período do ano anterior.
As autoridades não atualizaram esses números desde então, e a situação só piorou.
Segundo o projeto Nusantara Atlas, que utiliza monitoramento por satélite, quase 896 mil hectares haviam queimado até o final de agosto.
O fenômeno climático El Niño costuma trazer secas à Indonésia, e o episódio atual pode ser um dos mais intensos das últimas décadas, segundo especialistas.
No entanto, fatores humanos também desempenham um papel, como as queimadas para exploração de terras e décadas de degradação florestal que tornaram a paisagem mais vulnerável ao fogo.
"O El Niño não é a causa, mas sim um fator que agrava o problema. Sempre precisa haver algo que provoque o incêndio", explicou à AFP Ati Dwi Nurhayati, professora de silvicultura da Universidade IPB.
"Sabemos que, nas áreas de turfa, quase 100% dos incêndios são provocados pela atividade humana", afirmou.
As turfeiras são ecossistemas formados por camadas densas de matéria orgânica. Muitas foram drenadas para fins agrícolas, criando áreas altamente inflamáveis.
Uma vez que a turfa pega fogo, o incêndio pode permanecer latente e reacender-se durante dias, o que dificulta os trabalhos de extinção.
Segundo a ONG Pantau Gambut, nos primeiros oito meses do ano foram detectados mais de 212 mil focos de incêndio em turfeiras da Indonésia, mais que o dobro do registrado durante o intenso episódio do El Niño de 2015.
A Indonésia mobilizou bombeiros e voluntários para as áreas afetadas, embora com resultados limitados. Malásia e Japão também ofereceram ajuda.
As autoridades revogaram as licenças de cinco empresas acusadas de contribuir para os incêndios e suspenderam as de dezenas de outras.
Na semana passada, o presidente, Prabowo Subianto, ordenou a criação de uma agência encarregada de proteger as turfeiras e os manguezais, assim como de reforçar a prevenção de incêndios.
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