
13/10/2026
Um terremoto de magnitude 7,6 atingiu o Panamá nesta sexta-feira (9) e provocou um alerta de tsunami para países da América Central e do Sul. O abalo é mais um de grande intensidade registrado na região nos últimos meses, depois dos terremotos que deixaram centenas de mortos na Colômbia, em agosto, e milhares de vítimas na Venezuela, em junho.
Apesar da proximidade geográfica e do curto intervalo entre os episódios, isso não significa que os terremotos estejam relacionados ou que a atividade sísmica esteja aumentando na América Latina.
A explicação para a frequência desses fenômenos está, principalmente, na formação geológica da região. Boa parte do continente está próxima aos limites de grandes placas tectônicas, enormes blocos da crosta terrestre que se movimentam lentamente e acumulam tensão ao longo do tempo.
Quando essa tensão é liberada de maneira repentina, ocorre um terremoto.
Em determinadas condições, um grande abalo pode alterar as tensões em falhas geológicas e até desencadear outros tremores. Mas isso não acontece necessariamente.
Para estabelecer uma possível relação entre diferentes terremotos, os cientistas precisam analisar a localização dos epicentros, a profundidade dos abalos, as falhas envolvidas e o mecanismo de ruptura de cada evento.
Segundo o geofísico Bruno Collaço, da Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) e do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP), a ocorrência de grandes terremotos em poucos meses não é suficiente para concluir que exista uma reação em cadeia. A América Latina reúne diferentes sistemas tectônicos ativos, capazes de produzir tremores intensos de forma independente.
A América Latina está situada em uma das regiões de maior atividade sísmica do planeta. Parte de seu território integra o chamado Círculo de Fogo do Pacífico, uma extensa faixa que acompanha as bordas do oceano Pacífico e concentra terremotos e vulcões ativos.
Nessa região, diferentes placas tectônicas se encontram e se movimentam continuamente.
Entre as principais estão as placas de Nazca, Sul-Americana, do Caribe e de Cocos. Seus movimentos criam zonas de atrito e deformação na crosta terrestre.
Um dos principais mecanismos responsáveis pelos terremotos é a chamada subducção, processo no qual uma placa tectônica mergulha por baixo de outra.
É o que acontece ao longo de grande parte da costa oeste da América do Sul, onde a placa de Nazca avança sob a placa Sul-Americana.
O movimento não ocorre de maneira uniforme. Em alguns pontos, as placas ficam temporariamente presas pelo atrito, mesmo enquanto continuam sendo empurradas uma contra a outra.
A tensão se acumula até ultrapassar a resistência das rochas, provocando uma ruptura que libera energia na forma de ondas sísmicas.
Esse processo explica a frequência de terremotos em países como Chile, Peru, Equador e Colômbia.
Veja mais explicações lendo a matéria no g1
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