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Terremotos em série intrigam público e cientistas

05/05/2015

O forte terremoto que atingiu o Nepal em abril pode ser apenas o mais recente de uma série de grandes tremores que aflige o mundo desde dezembro de 2004 e intriga os cientistas e o público em geral. Naquele ano, um abalo de magnitude 9,1 na região das Ilhas Andaman, na costa Oeste de Sumatra, Indonésia, provocou um tsunami que deixou mais de 220 mil mortos em países em torno do Oceano Índico. Este sismo marcaria o início de uma sequência de eventos devastadores que sacudiram do Chile ao Japão, passando por China, Haiti e Itália, com um total de vítimas fatais que chegaria a mais de 600 mil, numa sucessão de tragédias que levanta suspeitas de que estes terremotos poderiam estar interligados.
Até 2004, o último terremoto com magnitude acima de 9 tinha sido registrado no Alasca cerca de 40 anos antes, ele mesmo parte de uma estranha sequência de tremores poderosos iniciada em 1950, quando um sismo de magnitude 8,6 sacudiu o Tibete. Como agora, esta série de fortes abalos no início da segunda metade do século XX pareceu estar concentrada em um período relativamente curto de tempo, de não mais de 15 anos. Segundo os cientistas, esta aparente aglomeração (clustering, no termo em inglês) de grandes terremotos globais pode não passar de uma simples coincidência — mas também pode ser indício da existência de mecanismos que fazem com que um deles precipite a ocorrência de outro mesmo a enormes distância. Mecanismos que desafiam os atuais conhecimentos sobre o funcionamento e o comportamento das placas tectônicas que formam a crosta terrestre.
— O histórico destes aparentes ciclos é suspeito, mas até agora não temos evidências de que tais mecanismos de fato existam além desta observação — diz Tom Larsen, líder de arquitetura de produtos de modelagem e previsão de catástrofes da CoreLogic EQECAT, empresa de análise de dados que presta consultoria a companhias seguradoras e de resseguros, entre outras. — Sabemos e entendemos muito bem como grandes terremotos podem ser precedidos por abalos menores e sucedidos por uma miríade de abalos secundários, os chamados aftershocks, em nível local e regional, mas em nível global ainda não temos conhecimento suficiente nem para provar nem para derrubar esta hipótese.

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