
26/05/2015
De acordo com o boletim epidemiológico do Ministério da Saúde (MS), só neste ano de 2015, cerca de meio milhão de novos casos de dengue foram notificados em todo o Brasil. Isso significa que, nos primeiros meses do ano, houve em torno de 200 registros da doença, por hora, o que representa um aumento de 240% no número de casos em relação ao mesmo período do ano passado. E não havendo, por ora, vacina, a melhor profilaxia contra as recorrentes epidemias de dengue ainda é combater o vetor – o mosquito Aedes aegypti – seja na forma adulta ou na fase de larvas. Para isso, uma equipe da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), coordenada pelo biólogo e pesquisador Adriano Rodrigues de Paula e supervisionada pelo pesquisador Richard Ian Samuels, desenvolveu um método simples, de baixo custo e bastante eficaz: uma nova armadilha que, somada a uma forma biológica de controle, promete ajudar a conter o número de mosquitos transmissores da dengue.
Segundo o biólogo, o projeto teve início ao se observar que o fungo da espécie Metarhizium anisopliae, encontrado na natureza, apresenta patogenicidade e virulência para vários tipos de insetos. A ideia, então, foi verificar se o fungo também seria patogênico para o mosquito da dengue. “A partir de 2005, começamos uma série de experimentos em laboratório, que nos fizeram chegar a determinadas formulações, preparadas com o fungo, que se mostraram 100% letais tanto para larvas quanto para mosquitos adultos”, entusiasma-se Adriano. A partir daí, os pesquisadores começaram a pensar como poderiam usar esse dado para combater o vetor da dengue. “Como já sabíamos que o mosquito A. aegypti é atraído por lugares escuros e superfícies pretas, resolvemos unir as duas informações e desenvolvemos a armadilha, que está sendo patenteada”, comemora o pesquisador. Ele destaca que a grande vantagem dessa armadilha é ser feita com materiais baratos. Além disso, o fungo só é tóxico para os mosquitos, diferente de outros métodos que usam inseticidas sintéticos e podem gerar problemas para os seres humanos.
A engenhoca é feita com garrafa PET transparente, cortada na frente, que traz pendurado no interior um pano preto embebido com o tal fungo. Esse pano preto atrai os mosquitos e o fungo age naturalmente como inseticida biológico. Contemplado no edital de Apoio ao Estudo de Doenças Reemergentes e Negligenciadas, da FAPERJ, o projeto está sendo desenvolvido no município de São João da Barra, na Região Norte Fluminense, onde 60 residências participam do estudo. Metade delas usa a armadilha com o fungo enquanto a outra metade serve como grupo controle para a comparação de dados.
A matéria completa pode ser lida no skite da Faperj
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