
16/06/2015
O fóssil de uma pequena ave que viveu durante o período Cretáceo Inferior e provavelmente testemunhou a separação do antigo continente de Gondwana, há cerca de 115 milhões de anos, foi encontrado em excelente estado de conservação na Bacia do Araripe, no Ceará. A descoberta foi divulgada nesta terça-feira, dia 2 de junho, em artigo publicado na renomada revista internacional Nature Communications, do Grupo Nature, assinado pelos pesquisadores brasileiros Ismar de Souza Carvalho (Departamento de Geologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ), Francisco I. Freitas (Geopark Araripe) e José A. Andrade (Departamento Nacional de Produção Mineral – DPMN); e pelos argentinos Fernando E. Novas (Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas – Conicet e Museu Argentino de Ciências Naturais Bernardino Rivadavia); Marcelo P. Isasi e Federico L. Agnolín (ambos do Conicet e da Fundação de História Natural Félix de Azara).
A ave, que pertence à família Enantiornithes, conheceu de perto grandes transformações ambientais. Em teoria esboçada no início do século XX, pelo geólogo Alfred Wegener, no princípio, havia um supercontinente, a Pangeia, que começou a se fragmentar há cerca de 200 milhões de anos. A primeira divisão deixou uma massa de terra ao norte, a Laurásia, e outra ao sul, chamada de Gondwana. Depois, outras separações e choques de placas foram dando contornos aos atuais continentes. A derivação dessas terras na crosta terrestre ao longo do tempo delineou o mapa-múndi atual. Assim, Gondwana foi um dos dois supercontinentes que, junto a Laurásia, agrupou toda a massa terrestre, e se dividiu em novos blocos: Gondwana Leste (as atuais Antártica, Índia, Madagascar e Austrália) e Gondwana Oeste (América do Sul e África).
“Ela viveu exatamente nos primeiros momentos da separação entre a América do Sul e a África, que posteriormente deu espaço ao surgimento do oceano Atlântico. O continente de Gondwana existiu durante milhões de anos e começou a se desagregar justo na região onde hoje está situada a Bacia do Araripe, que na época era um grande lago, no local onde foi encontrado o fóssil”, contextualizou Carvalho, que é Cientista do Nosso Estado, da FAPERJ, e diretor do Instituto de Geociências da UFRJ.
A matéria na íntegra pode ser lida no site da Faperj
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