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Regiões do Nordeste têm só 2 dias com água por mês

30/06/2015

Bairros inteiros com apenas dois dias por mês com água. Vinte e oito sem.
É assim que algumas cidades de um dos maiores polos produtivos do Nordeste vivem há meses. Em colapso, ou à beira dele, cerca de 2 milhões de pessoas em um raio ampliado. E toda uma cadeia têxtil que abastece o maior centro comercial do ramo da América Latina.
A região de Caruaru, no interior de Pernambuco, tem duas cidades vitais para a indústria têxtil do Nordeste e Norte do Brasil: Santa Cruz do Capibaribe, onde o Moda Center reúne mais de 15 mil pontos de venda e chega a atrair 100 mil pessoas por dia em junho; e Toritama, segundo maior polo no Brasil para o beneficiamento de jeans. Principal matéria-prima em falta: água.
Em Riacho das Almas, no agreste pernambucano, a saída foi furar poços de até 50 metros de profundidade e trazer água salobra à superfície. Para dessalinizar, uso de energia elétrica e solar. Para entregar à população, fichas telefônicas, iguais às antigas de orelhões.
A cidade possui 16 dessas unidades, espalhadas pela zona rural. Quinze custaram R$ 60 mil cada para serem operadas com energia elétrica e uma R$ 110 mil para funcionar totalmente com energia solar.
“É uma situação muito constrangedora. Na zona urbana as pessoas não estão acostumadas a isso. Você chegar a uma rua e ver aquela fila de moradores, cada um com um balde, para pegar dez, vinte litros, é um negócio constrangedor, para quem pega, para quem distribui”, afirma Roberto Tavares, presidente da Compesa, estatal pernambucana responsável pelo abastecimento no Estado.
O regime de chuvas na região de Caruaru está abaixo do normal há quatro anos. Com o fenômeno El Niño configurado em 2015, a seca deve prevalecer mais uma vez no agreste pernambucano e no Nordeste como um todo.
A falta de água na região de Caruaru veio em cima da crise geral na vendas de vestuário. Alguns atacadistas contabilizam perdas de até 30% desde o início do ano, demitem funcionários e fecham lojas de revenda.

A matéria na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo

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