
14/07/2015
A madeireira Jari Florestal S.A. foi multada em R$ 5,989 milhões e teve as atividades suspensas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) por fazer comércio ilegal de créditos florestais — espécie de documento que legaliza a extração da madeira, especificando sua espécie e formato (toras, serragem etc) — com uma empresa fantasma do município de Tailândia (PA), a Madeira Capelli, e por operar um porto numa área de preservação permanente (APP) sem licença. Ao todo, o órgão aplicou quatro autos de infração.
Este foi mais um desdobramento da operação Gênesis, lançada em abril. Foram transacionados ilegalmente 5 mil metros cúbicos de madeira em créditos florestais, num esquema que pode ter rendido de R$ 5 milhões a R$ 15 milhões, estima o superintendente do Ibama no Pará, Hugo Américo Schaedler.
A Jari adquiriu um plano de manejo florestal no município de Almeirim (PA), mas em seu inventário constavam espécies e formatos de madeira que não condiziam com o plano em questão — mesmo assim passados à Capelli, que os repassou a empresas menores, pulverizando os créditos e dificultando o rastreamento de sua origem.
Quando o Ibama foi ao local para investigar o plano, se deparou com um porto da Jari Florestal instalado na APP às margens do rio Aruanã, com rampas para atracamento de balsas. Nada tinha licença de operação. O Ibama ainda solicitou a documentação do porto e a empresa não forneceu. Américo observa que mais de 3,5 mil metros quadrados foram desmatados, causando grave dano ao meio ambiente. Várias comunidades ribeirinhas locais que tiram seu sustento da natureza vinham denunciando a ação da empresa.
— A Jari Florestal está hoje entre as dez maiores exportadoras de madeira do Brasil, e não era de se esperar uma fraude dessas contra o Sistema de Comercialização e Transporte de Produtos Florestais (SisFlora, que emite os créditos) — afirma ele. — Prejudicou o meio ambiente local, mostrou descompromisso com as comunidades ribeirinhas e com a legislação ambiental. E alimentou o mercado ilegal e o crime organizado.
A matéria na íntegra pode ser lida em O Globo
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