
15/08/2015
Alguma coisa está bastante fora da ordem quando eu vejo nas principais páginas de meio ambiente de sites pelo mundo, a (mesma) foto do corpo destroçado de uma boneca, de cabeça virada para o lado, mergulhado numa água imunda, cheia de lixo. Aquelas são as águas da Baía de Guanabara, informam-me as legendas. Não me espanto, porque conheço bem o problema da poluição nesse lugar. Mas fico me perguntando em que paradoxo, dos muitos da nossa era, se encaixariam esta triste cena e a imagem ufanista do Rio como cidade maravilhosa que conseguiu ganhar, em 2009, as eleições do Comitê Olímpico Internacional (COI) para sediar o evento aqui no ano que vem?
Falei sobre meu desconforto a amigos. Afinal, como só agora, seis anos depois, descobriram que os atletas terão que nadar entre fezes, carcaças de animais mortos e lixo variado e que isso, é claro, vai trazer problemas para a saúde deles? A questão é que havia um compromisso de acabar com o problema, não cumprido, recordam-me alguns. E alguém achava que seria cumprido?, esbravejo, irritada que ando com tanta superficialidade nas promessas de autoridades. Instigam-me a pesquisar mais sobre o assunto para escrever aqui no blog, e me lancei à tarefa. Afinal, jornalista que tenta manter sempre atualizados os assuntos ligados à sustentabilidade não pode deixar essa notícia de lado.
Primeiro, busco boas notícias. Se os atletas olímpicos tivessem que concorrer em territórios diferentes, estariam mais seguros contra o risco de contrair hepatite, giardíase, amebíase, esquistossomose e outras doenças mais? Segundo uma reportagem de 2013 publicada no site EcoDesenvolvimento, atualmente os 500 maiores rios do planeta enfrentam problemas com poluição, dado colhido na Comissão Mundial de Águas. Mas há oito exemplos que foram elencados porque conseguiram livrar desse mal as populações das cidades do entorno. Vamos a eles.
Paris já foi banhada por um rio em estado lastimável, mas isso na década de 20 do século passado. A partir de 1960 os franceses, incomodados com a situação, passaram a exigir de seus governantes estações de tratamento de esgoto, e a meta é que este ano o Sena esteja 100% despoluído. Há um incentivo em dinheiro para os agricultores que vivem às margens não sujarem as águas, mais ou menos como é a proposta do projeto que pretende pagar aos moradores da floresta para deixá-la em pé. Em tempo: consultei, via email, uma amiga que mora em Paris e ela me disse que a meta de o Sena estar totalmente limpo ainda não foi alcançada.
Saiba mais no G1
Erosão: estudo vai avaliar alternativas para conter avanço do mar em Atafona e Açu, no Norte Fluminense
06/10/2026
Unicamp cria bateria mais segura para armazenar energia solar e eólica
06/10/2026
Maior garimpo de cassiterita do mundo tem ‘alto risco’ em cinco de sete barragens e ameaça colapso em cadeia na Amazônia
06/10/2026
Mudanças climáticas podem alterar relações entre abelhas e plantas
06/10/2026
Padrões nas asas das borboletas podem enganar predadores com ilusões de movimento
06/10/2026
El Niño aquece o Pacífico e esvazia redes dos pescadores latino-americanos
06/10/2026
