UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
Das 90 toneladas de lixo que a Baía de Guanabara recebe diariamente, apenas 7,5% são recolhidos

15/08/2015

Ayrton Abreu, de 21 anos, avista um rastro de lixo no meio da água escura, nas proximidades da Ilha de Villegagnon, sede da Escola Naval, e conduz a embarcação na direção de potes de margarina, copinhos de guaraná natural, tampinhas de refrigerantes e sacos plásticos. A poucos metros dali, velejadores de vários países do mundo treinam para os Jogos Olímpicos. O jovem mexe numa alavanca que aciona uma espécie de peneira. Em movimentos circulares, o barco coleta o material. Essa rotina tem tomado os dias do morador de Jurujuba, em Niterói, há um ano e sete meses. Ayrton diz que se sente bem em ajudar a melhorar o aspecto da Baía de Guanabara, mas desconfia que a atividade tenha pouca eficácia em meio a um turbilhão de problemas. Ele tem razão.
Segundo estimativa da Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), diariamente são despejadas cerca de 90 toneladas de lixo na baía. As empresas Brissoneau e Ecoboat, que operam os barcos ecológicos (uma iniciativa do governo estadual), como o de Ayrton Abreu, coletaram no último ano uma média de 1,8 tonelada de resíduos por dia. Além disso, um outro projeto do estado, as ecobarreiras — atualmente estão em operação cinco dessas estruturas flutuantes, que retêm o lixo na foz dos rios —, consegue capturar cerca de cinco toneladas diariamente. Resumindo: a um ano dos Jogos Olímpicos, apenas 7,5% dos detritos que tanto preocupam iatistas são efetivamente recolhidos do mar.
Um cenário que, garante o secretário estadual do Ambiente, André Corrêa, vai mudar radicalmente até 2016. Reforçando que todos os números ainda carecem de auditoria e checagem, o secretário já tem um plano ambicioso para os próximos três anos: evitar que 95% dos resíduos cheguem à baía pelos mais de cem rios e canais que cortam 16 cidades. Na semana passada, a secretaria começou a receber relatórios da empresa ProOceano, que passou a monitorar, em tempo real, os ecobarcos e promete dar um salto de qualidade no programa, com um sistema de gestão amparado em modelagem matemática de marés. Interrompido em 23 de fevereiro, o programa dos ecobarcos, que tem custo mensal em torno de R$ 300 mil, oriundos do Fundo Estadual de Conservação Ambiental (Fecam), foi retomado em 1º de julho.
— Daqui a seis meses, poderemos ter uma noção mais precisa da quantidade de lixo que os ecobarcos e as ecobarreiras recolhem em períodos chuvosos e secos. Qualquer um que fale em valores, estimativas, está dando um chute. O que eu posso garantir é que estamos implementando uma gestão totalmente inovadora. Colocaremos os relatórios à disposição dos cidadãos na internet — diz Corrêa, acrescentando que, até o fim do ano, serão instaladas mais 12 ecobarreiras.
Se a despoluição não é uma meta atingível em um ano, o governo concentra seus esforços para reduzir o lixo que boia na baía, retrato do flagelo ambiental do Rio e alvo de duras críticas de velejadores. O temor geral é o de que um pedaço de madeira ou uma embalagem de biscoito mude o resultado de uma competição olímpica. Na avaliação do vice-prefeito de Niterói, Axel Grael, é, sim, possível avançar na coleta do lixo flutuante, um desafio também para autoridades dos Estados Unidos e de países da Europa.

A matéria completa pode ser lida em O Globo

Novidades

Erosão: estudo vai avaliar alternativas para conter avanço do mar em Atafona e Açu, no Norte Fluminense

06/10/2026

Um estudo para definir alternativas de combate à erosão costeira em Atafona e Açu, distritos de São ...

Unicamp cria bateria mais segura para armazenar energia solar e eólica

06/10/2026

Sol e vento são fontes de energia abundantes, mas intermitentes. Para que a eletricidade gerada poss...

Maior garimpo de cassiterita do mundo tem ‘alto risco’ em cinco de sete barragens e ameaça colapso em cadeia na Amazônia

06/10/2026

Dados do Sistema de Gestão de Segurança de Barragens (SIGBM), do governo federal, apontam que o comp...

Mudanças climáticas podem alterar relações entre abelhas e plantas

06/10/2026

Mudanças na temperatura e no regime de chuvas, somadas a alterações no uso da terra — como desmatame...

Padrões nas asas das borboletas podem enganar predadores com ilusões de movimento

06/10/2026

Quando uma ave se lança contra uma borboleta em pleno voo, ela pode ver algo que não existe — as asa...

El Niño aquece o Pacífico e esvazia redes dos pescadores latino-americanos

06/10/2026

Os pescadores do Pacífico oriental estão sofrendo o impacto do aquecimento do oceano pelo El Niño, q...