
25/08/2015
Não fosse o surgimento dos humanos modernos (Homo sapiens) há cerca de 200 mil anos, a diversidade de grandes mamíferos na Terra seria muito maior do que a vista hoje, e em algumas regiões equivalente à encontrada apenas nas savanas da África atualmente. A conclusão é de estudo de cientistas da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, que avaliou como a ação humana, da caça à destruição de habitats, afetou a evolução e distribuição destes animais pelo planeta, publicado nesta sexta-feira no periódico científico “Diversity and Distributions”.
Segundo os pesquisadores, o fato de a maior diversidade de grandes mamíferos (com massa corporal acima de 10 quilos) estar na África hoje e não ter comparação em outras regiões da Terra não se deve a limitações climáticas ou ambientais. Num mundo sem humanos, dizem, a maior parte do Norte da Europa não teria apenas lobos, alces ou ursos, mas também animais como elefantes e rinocerontes.
Em um estudo anterior, os cientistas da Universidade de Aarhus liderados por Søren Faurby já tinham demonstrado que a extinção em massa da chamada megafauna durante a última Idade do Gelo (encerrada há cerca de 12 mil anos) e no milênio subsequente se deu em grande parte pela expansão dos humanos modernos pelo planeta, e não pelas alterações ambientais das mudanças climáticas de então. Assim, com base em estimativas da distribuição natural de cada espécie de grande mamífero de acordo com sua ecologia, biogeografia e os padrões ambientais naturais atuais, eles calcularam como seria sua diversidade e distribuição sem o impacto do aparecimento dos humanos modernos.
- O Norte da Europa está longe de ser o único lugar em que os humanos reduziram a diversidade de mamíferos – diz Jens-Christian Svenning, um dos pesquisadores responsáveis pelo estudo. - É um fenômeno global. E, na maioria dos locais, há um grande déficit na diversidade de mamíferos do que ela poderia ser naturalmente.
No mapa atual da diversidade de mamíferos, a África é o único onde ela é alta. Mas no mapa produzido pelos cientistas dinamarqueses, ela seria tão grande também em boa parte do planeta, em particular nas Américas do Norte e do Sul, regiões hoje relativamente pobres em grandes mamíferos.
A matéria na íntegra pode ser lida em O Globo
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