
27/08/2015
Paleontólogos brasileiros anunciaram ontem, a descoberta de uma espécie de lagarto que viveu há 80 milhões de anos no território onde hoje é o Brasil. A análise dos fósseis encontrados no município de Cruzeiro do Oeste, no Paraná, foi descrita na renomada revista científica “Nature communications”.
Os pesquisadores encontraram poucos vestígios do animal, batizado de Gueragama sulamericana. Foram achados apenas pedaços de mandíbula. Por sorte, a qualidade da preservação é excepcional, o que permitiu aos estudiosos verificar que se tratava de uma espécie desconhecida.
O time de cientistas responsável pelo estudo — uma parceria entre a Universidade do Contestado/CENPALEO, Museu Nacional/UFRJ e Universidade de Alberta — considera o achado importante para a paleontologia brasileira. O Gueragama sulamericana é o primeiro lagarto acrodonte (fóssil ou vivente) encontrado na América do Sul. Até então, esse grupo de iguanídeos só era encontrado nos continentes do Velho Mundo.
Os fósseis mais antigos de acrodontes têm cerca de 180 a 160 milhões de anos e foram encontrados na Índia, que fazia parte do antigo supercontinente de Gondwana, juntamente com as atuais massas de terra do hemisfério sul. Este grupo se dispersou pela Ásia durante o Cretáceo Superior (entre 99 milhões e 65 milhões de anos atrás), e muito posteriormente (durante o Cenozóico, era que se iniciou há 65 milhões de anos e se estende até hoje), pelo resto do Velho Mundo — Ásia, África e Europa.
— A descoberta de Gueragama sulamericana indica, portanto, que a dispersão deste grupo de répteis pelo hemisfério sul se deu muito antes do que se imaginava, aproximadamente 80 milhões de anos atrás, e que os acrodontes alcançaram uma distribuição em escala global antes do Cenozóico — aponta o paleontólogo Everton Wilner, da Universidade do Contestado, em Mafra, instituição que coordenou os trabalhos de campo, análise fotográfica do material e descrição filogenética.
A origem da fauna de lagartos e serpentes da América do Sul, importantes componentes da biodiversidade atual deste continente, continua um mistério. Porém, a descoberta de Gueragama sulamericana ajuda a compreender um pouco mais dessa origem. A nova espécie indica que, pelo menos parte desta fauna primitiva de lagartos sul-americanos eram mais proximamente relacionados a grupos que hoje estão em outros continentes, do que a grupos atualmente habitando o Brasil e o resto da América do Sul.
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