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Aranha imita fezes de pássaros para enganar predadores e atrair presas

08/09/2015

Pesquisadores descobriram que uma aranha, que habita o sudeste asiático, usa uma técnica um pouco nojenta para se esconder de predadores e, ao mesmo tempo, atrair suas presas. Apesar de o uso da camuflagem ser bastante comum na natureza, a Phrynarachne ceylonica, conhecida popularmente como aranha-caranguejo, escolheu a aparência e o cheiro de fezes de pássaros para imitar.
— Os pássaros, em sua maioria com boa visão, não vão atacar o que aparenta ser seu próprio rejeito — disse Joseph Koh, do Museu de História Natural de Cingapura, em entrevista à revista “New Scientist”. — Os nódulos no corpo e as bordas ásperas reforçam ainda mais a aparência de fezes.
Por se apoiar na camuflagem, a Phrynarachne ceylonica passa a maior parte do tempo imóvel em folhas de plantas, apenas esperando a aproximação de suas presas. Quando a aranha se move, a ilusão se desintegra, pois suas patas dianteiras se esticam. Segundo Koh, o aracnídeo possui o corpo brilhante, que passa a impressão de molhado de fezes frescas. Para aprimorar o disfarce, por vezes a aranha fica sobre uma fina camada de seda, para simular o respingo seco dos excrementos dos pássaros.
O estudo, apresentado no mês passado na conferência Behaviour 2015, na Austrália, destaca que essa é a primeira evidência de camuflagem “visual e química” em animais. “As aranhas-caranguejo não apenas se parecem com excrementos de pássaros em cor, tamanho e formato, elas também têm o cheiro”.
Em testes em laboratório, os pesquisadores colocaram a Phrynarachne ceylonica junto com uma espécie de aranha saltadora, conhecida predadora, e com moscas domésticas, como presas. Os resultados mostraram que emissões químicas das aranhas-caranguejo foram capazes de afastar mais predadores e atrair mais presas do que grupos de controle.
— Essa é a primeira ilustração de que aranhas podem usar sinais químicos para tentar diminuir as taxas de predação e aumentar a atração de presas — disse I-Min Tso, da Universidade Tunghai, em Taiwan, que não estava envolvido com o estudo.

Fonte: O Globo

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