
22/09/2015
A última grande área de manguezal do município do Rio, localizada na Reserva Biológica Estadual de Guaratiba, com seus 1.601,34 hectares, corre perigo. Está rodeada por povoados de pescadores que veem, ano após ano, construções irregulares aterrarem o ecossistema responsável por seu sustento. Até 2010, a área ocupada também era preservada: fazia parte da Reserva Biológica e Arqueológica de Guaratiba, que foi extinta pela lei estadual nº 5.842, de 3 de dezembro de 2010, e substituída pela atual. Nesse processo, os limites da área preservada foram redefinidos, e locais onde já havia ocupações ilegais ficaram de fora.
— Eu sou cria daqui. Pegávamos baldes e mais baldes de mariscos, camarões e caranguejos, mas hoje isso já não é mais possível. Estão aterrando tudo. São muitas as casas irregulares — conta uma moradora da região há mais de 40 anos, que pediu para não ser identificada.
— A situação já foi informada ao secretário estadual do Ambiente, visto que essa é uma Unidade de Conservação estadual. Mesmo que não fosse, manguezais são protegidos pela legislação como Áreas de Preservação Permanente (APPs). Além disso, eles são responsáveis pela existência do polo gastronômico de frutos do mar da região. Ou seja, se o mangue sumir ou for mais degradado, acaba a economia em volta dele — afirma.
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