
15/10/2015
Em meio à névoa esparsa que cobria a Baía de Guanabara na manhã de quarta-feira, o Angra Star surgia sombrio, ancorado entre as ilhas do Governador e do Fundão. Adernado à esquerda, com o casco e o convés comidos pela ferrugem, o cargueiro de 133 metros de comprimento não tinha uma viva alma dentro. Lembrava mais um navio-fantasma, adormecido numa espécie de cemitério que flutua sobre a baía, onde há cerca de 150 embarcações abandonadas, segundo a Coordenadoria Integrada de Combate aos Crimes Ambientais (Cicca), da Secretaria estadual do Ambiente. No caso do Angra Star, como adiantou Ancelmo Gois em sua coluna, a esperança de sobrevida é depositada num leilão que a Marinha realizará para tentar vendê-lo junto a outros três gigantes, todos cargueiros, largados na Guanabara. Mas são muitas as embarcações que ainda navegam com destino incerto.
Só próximo ao bairro do Barreto, em Niterói, há sete esqueletos de navios que apodrecem, numa espécie de cova rasa da baía, perto da Rodovia Niterói-Manilha. Uma ponte de metal improvisada liga a margem a uma velha balsa, pela qual se consegue chegar a esses barcos. É o caminho usado por pescadores e jovens, que utilizam uma chata encalhada como plataforma para mergulhos nas águas poluídas. E também por onde o morador de rua Vinícius Herculano, de 38 anos, atravessou para instalar sua “casa” em uma das embarcações. Faz seis meses que ele mora numa antiga cabine de comando, tendo as carcaças como quintal.
— Vivia aqui em frente, debaixo do viaduto. Mas fui expulso. Era um dia chuvoso, e resolvi me abrigar no barco — conta Vinícius, que é de São Paulo e chegou ao Rio a pé. — Coloquei meu colchão num lugar sem goteiras. Faço tudo a bordo. Cozinho, guardo latinhas para vender. Só nunca ando descaço, porque o barco está todo enferrujado e tenho medo de me cortar.
O lugar fica próximo aos estaleiros da indústria naval de Niterói e São Gonçalo. Está a poucos quilômetros também do Canal de São Lourenço, conhecido como Buraco do Boi, onde, segundo o Comando do 1º Distrito Naval, há o maior número de embarcações abandonadas na baía. Em 2013, eram 52 cascos nesse trecho, perto da Ilha da Conceição. A Marinha chegou a determinar o perdimento dessas embarcações, e o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) ficou responsável pela retirada delas da água. Na época, as carcaças foram leiloadas pelo órgão do estado. Mas a empresa vencedora ainda não terminou o serviço de remoção dos restos de embarcações.
A matéria completa pode ser lida em O Globo
Rio está entre cidades mais afetadas por ozônio nocivo este ano
01/10/2026
Estudo da Unesp encontra contaminantes ligados ao câncer em plásticos e espumas descartados
01/10/2026
Sertanejo usa plantas e animais para prever chuvas no RN
01/10/2026
Escorpiões que brilham sob luz ultravioleta levam cientistas a duas novas espécies em Roraima
01/10/2026
Duas aves brasileiras estão entre as mais barulhentas do mundo, mostra estudo
01/10/2026
Renda de catadores com venda de recicláveis pode dobrar
01/10/2026
