
15/10/2015
Responsável pelo abastecimento de água de 9,5 milhões de pessoas na Região Metropolitana do Rio, a bacia do Rio Guandu está no centro de um movimento inédito, que pretende recuperar três mil hectares de terras degradadas até 2035, com o plantio de seis milhões de mudas de espécies da Mata Atlântica. O pontapé foi dado pela ONG Conservação Internacional (CI), durante o último Rock in Rio. Músicos de bandas como Queen, Metallica, OneRepublic e System of a Down doaram guitarras e outros instrumentos para a campanha, que arrecadou quase R$ 1 milhão e garantiu recursos suficientes para recuperar 50 hectares.
Vice-presidente da CI-Brasil, Rodrigo Madeiros destaca que a corrente pró-conservação também receberá a ajuda das empresas que são obrigadas a implementar projetos ambientais em troca da obtenção de licenças. Órgãos públicos com obras em andamento — como o Arco Metropolitano — também têm compromissos de plantio no Guandu.
— O projeto de captação de recursos começou há um ano. Mapeamos todas as áreas prioritárias, as nascentes e as APPs (áreas de preservação permanentes). Além de mobilizar o público para a causa, conseguimos fazer o leilão de guitarras com todos os recursos revertidos para a restauração. Esperamos conseguir R$ 45 milhões nos próximos dez anos e fechar 2015 com 300 hectares recuperados — diz Medeiros.
Para garantir mais verde em terrenos degradados, topos de morros, nascentes e margens de rios, serão utilizadas mudas nativas. Muitas devem vir de fora do Rio, como já ocorre em diversos projetos de reflorestamento no estado.
A bacia do Guandu, onde vivem 2,6 milhões de pessoas, tem 1.315 quilômetros quadrados. Além do desflorestamento, a falta de saneamento é um grave problema comum aos 15 municípios que integram a bacia: o índice de coleta de esgoto nessas cidades é de 41,2%, e o de detritos tratados, 4,9%, segundo dados da Associação Pró-Gestão das Águas da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (Agevap).
O engenheiro Julio Cesar Antunes, diretor-presidente do Comitê Guandu, ressalta que a recuperação de áreas desflorestadas é um processo que requer mais do que aporte de dinheiro: exige também tempo e paciência.
— As pessoas querem sempre as coisas para amanhã, mas todos devem estar cientes de que se trata de um investimento a longo prazo. Desde 2008, já conservamos e restauramos 4.500 hectares, em mais de 120 propriedades. O programa de pagamento por serviços ambientais (PSA), no qual o proprietário rural que conserva floresta ganha um bônus com recursos do Fundo Estadual de Recursos Hídricos, tem sido um sucesso — destaca Julio Cesar, acrescentando que, sem o apoio dos governos municipais, é muito difícil obter resultados satisfatórios. — Além da participação das empresas, é fundamental o apoio de prefeituras.
Leia a matéria na íntegra em O Globo
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