
22/10/2015
Em meio à escassez hídrica que afeta o estado, a preocupação já atinge as Olimpíadas de 2016. Para evitar que falte água durante os Jogos, a Agência da Bacia do Rio Paraíba do Sul (Agevap) planeja instalar bombas para captar água do volume morto do reservatório de Paraibuna — o maior dos quatro que compõem o sistema do Rio Paraíba do Sul —, caso a represa chegue a esse nível no período do evento. O projeto executivo para a implantação da medida foi contratado semana passada pela agência. Num prazo de 60 dias, a proposta para as obras do bombeamento deve ser apresentada.
— Como acontece no sistema Cantareira, em São Paulo, as bombas vão fazer com que a água do volume morto ultrapasse a barragem de Paraibuna e possa correr pelo Paraíba do Sul. Sem essas obras, não se consegue verter água do volume morto na quantidade necessária. Muito provavelmente esse equipamento nem será usado. Mas temos que ter essa estratégia caso aconteça algum imprevisto — explica Maria Aparecida Vargas, integrante da diretoria do Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (Ceivap), que coordena a gestão de recursos hídricos da bacia.
Na quarta-feira, o grupo de trabalho que acompanha a crise hídrica, formado por membros de órgãos como os comitês de bacia, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a Agência Nacional de Águas (ANA) e o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), reuniu-se para avaliar o panorama atual dos reservatórios. Segundo Maria Aparecida, a situação é crítica e exige cautela.
Segundo dados do boletim de monitoramento da ANA, na terça-feira os reservatórios estavam com apenas 5,88% de seu volume útil. Na mesma data do ano passado, essa média chegava a 9%. É justamente o nível da represa de Paraibuna o mais baixo no momento: 1,09%. Já o reservatório de Santa Branca chegou a 2,52%, o de Funil, a 15,45%, e o de Jaguari, a 15,80%. Maria Aparecida diz, contudo, que a situação poderia ser mais grave se não tivesse sido adotada uma série de iniciativas para poupar a saída de água das represas. Desde julho de 2014, destaca ela, foram economizados 1,7 trilhão de litros de água, o que daria para abastecer a Região Metropolitana do Rio por um ano, com um volume equivalente a dois reservatórios de Jaguari.
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