
29/10/2015
Como se não bastasse a ameaça da dengue, o próximo verão — que começa em dezembro e vai até março de 2016 — terá outros inimigos implacáveis: a escassez de chuva e a elevação do preço da energia elétrica. Embora desde o início de setembro tenha chovido mais do que a média histórica no estado de São Paulo, onde fica o reservatório de Paraibuna, o principal do sistema que abastece 9,4 milhões de pessoas na Região Metropolitana do Rio, a situação segue bastante complicada. Autoridades não descartam a possibilidade de racionamento no Rio, justamente no período das Olimpíadas, caso a seca persista até lá.
O problema, advertem especialistas ouvidos pelo GLOBO, é que não basta chover. A estiagem dos últimos anos secou tanto os solos que seriam necessários vários períodos de índices pluviométricos altos e constantes para começar a mudar a situação.
— O clima é de apreensão, muita apreensão — diz o diretor-executivo da Associação Pró-Gestão da bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (Agevap), André Luis de Paula Marques. — O cenário não é bom, as previsões não são boas. Vamos pedir autorização para diminuir mais a vazão que sai da represa de Paraibuna, para segurar a água o quanto for possível (na quarta-feira, o nível estava em 1,21%). De preferência, evitar a entrada no volume morto até dezembro.
O El Niño, fenômeno de aquecimento das águas do Oceano Pacífico, aumenta as incertezas meteorológicas para os próximos meses. A previsão é que, este ano, a temperatura fique quatro graus acima das médias históricas para verões. Paulo Carneiro, pesquisador do Laboratório de Hidrologia da Coppe/UFRJ, diz que o cenário não é nada animador:
— Hoje ninguém sabe como vai ser o próximo verão. O El Niño joga mais um elemento na imprevisibilidade da situação. São muitas chuvas em alguns locais e poucas em outros. Não há a garantia de que as chuvas de verão vão encharcar o solo e melhorar reservatórios.
Paulo Carneiro fala em risco de racionamento, caso a seca persista. Ele diz que os governos tiveram tempo e aviso prévio da piora do cenário dos regimes de chuva, mas não deram a atenção necessária.
— O problema na Região Metropolitana do Rio vai ficar bem claro se o próximo verão for pouco chuvoso. Houve um pré-anúncio dessa situação em 2003/2004, mas a demanda saiu da agenda do poder público. Houve um relaxamento.
A matéria completa pode ser lida em O Globo
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