
03/11/2015
Morador de Santa Teresa, Francisco Palermo já perdeu a conta do número de vezes em que apelou à Polícia Militar para acabar com o barulho da casa de shows bem em frente à sua residência, que, até o fim da madrugada, não o deixa descansar em diferentes dias da semana. O sofrimento dele é o de dezenas de milhares de outras pessoas, já que o problema se tornou epidêmico no estado. O barulho é hoje o principal motivo das queixas feitas pela população pelo número 190, da PM: a cada quatro minutos, alguém liga para reclamar do transtorno.
O dado foi constatado pelo Instituto de Segurança Pública (ISP). Para avaliar o impacto do tema na segurança do estado, a entidade fez um estudo detalhado sobre os telefonemas recebidos pelo 190 de moradores da Região Metropolitana do Rio. Usando números de janeiro a maio deste ano, o levantamento mostrou que, de um total de 345.964 telefonemas, 51.405 (cerca de 15%) foram sobre a chamada perturbação do sossego e do trabalho. Em segundo lugar, ficaram crimes contra a mulher, com 10%, e em terceiro, ameaça, com 7%.
O tormento de quem é forçado a conviver com vizinhos barulhentos se estende pelas mais diferentes áreas do Rio. Na capital, por exemplo, o barulho foi a principal razão de reclamações nas zonas Sul, Norte e Oeste no período pesquisado. Só o Centro escapou: ali, o problema ficou em segundo lugar. Já na Baixada Fluminense e em Niterói, voltou a encabeçar a lista de transtornos de quem recorre ao 190.
O estudo mostrou ainda que, em média, a duração de atendimento de uma queixa como essa é de 30 minutos. Nos cinco primeiros meses do ano, entre o momento da ligação e o término da ocorrência no local, as patrulhas somaram 880.773 minutos de tempo corrido, o equivalente a 611 dias de trabalho, gastos na mediação de um problema que quase nunca a intervenção policial consegue resolver sozinha.
— Isso impacta a segurança, porque o policial deixa de fazer o patrulhamento preventivo para atender essas ocorrências. É um problema sério. O policial militar vai ao local e tenta miniminizar o dano para o cidadão, que está sofrendo por não conseguir dormir. Mas o PM, sozinho, não vai resolver a questão — afirmou o superintendente de Integração de Operações de Emergência da Secretaria de Segurança, coronel Djalma Beltrami.
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