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Novo atlas mostra contraste entre cidades da Mata Atlântica

12/11/2015

No mapa, pouco mais de 390 quilômetros separam as cidades piauienses de Eliseu Martins e Tamboril do Piauí, localizadas na borda das serras da Capivara e das Confusões. O ambiente, no entanto, não poderia ser mais desigual. Em Tamboril, 96% da vegetação, formada por árvores e mangues da Mata Atlântica, ainda estão de pé. É o município com a maior conservação do bioma no país. Eliseu está na lanterninha no ranking. Entre 2013 e 2014, perdeu 4.287 hectares de floresta. O contraste é um dos destaques do novo Atlas dos Municípios da Mata Atlântica, que também elogia a preservação dos ecossistemas no Rio.
Em sua sétima edição, o Atlas, divulgado ontem pela ONG SOS Mata Atlântica, exibe as contradições do bioma em 3.429 municípios de 17 estados — o levantamento mais abrangente já feito pela organização, com imagens de satélite. Uma das características mais visíveis é a dificuldade das prefeituras em conciliar planos de desenvolvimento econômico com a preservação da cobertura florestal. A expansão das cidades, o avanço da fronteira agrícola, a pecuária e a indústria não poupam sequer sítios arqueológicos e parques nacionais.
— Estes municípios do Piauí são uma amostra de como, em todo o bioma, economia e meio ambiente podem entrar em conflito — ressalta Marcia Hirota, diretora da SOS Mata Atlântica. — Ainda que na mesma região, Eliseu Martins é mais exposto ao agronegócio. O Brasil destrói o que não conhece. As prefeituras permitem atividades predatórias em patrimônios que poderiam ser usados por outros setores, especialmente o turístico.
Esta é a primeira vez que os dados atualizados e o histórico das cidades abrangidas pela Mata Atlântica poderão ser acessadas em um site, o Aqui Tem Mata (www.aquitemmata.org.br), cujo lançamento está previsto para esta semana. Nele, os internautas poderão localizar áreas remanescentes do bioma, com gráficos e mapas interativos.
Segundo Marcia, o Atlas e o endereço na web têm como objetivo incentivar conselhos municipais de meio ambiente a desenvolver projetos para conservação da Mata Atlântica. Como alguns só têm resultado a médio e longo prazos — por exemplo, a recuperação de nascentes de rios —, é importante que a responsabilidade não seja atribuída apenas ao poder público.
— Os prefeitos vêm e vão, então o compromisso não deve ser apenas deles — avalia a diretora da ONG. — Precisamos dar a informação mais próxima possível das pessoas. Nas cidades, é mais fácil fazer uma gestão sobre as áreas críticas, localizar as nascentes dos rios que devem ser protegidas e interligar fragmentos da mata. Infelizmente, para a maioria das pessoas o conceito de proteger a biodiversidade ainda é muito subjetivo.

A matéria completa pode ser lida em O Globo

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