
19/11/2015
O diretor de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch, divulgou nesta terça-feira que o vírus zika foi detectado em duas gestantes da Paraíba que esperam bebês já diagnosticados com microcefalia. Segundo ele, o vírus foi identificado no líquido amniótico dessas duas grávidas, por meio três técnicas laboratoriais diferentes. Atualmente, vários estados do Nordeste registram um surto da malformação congênita que reduz o perímetro do crânio de recém-nascidos e gera problemas neurológicos e motores. Desde que o estado de emergência em saúde pública foi declarado pelo Ministério da Saúde na semana passada, o zika era o grande suspeito de ter causado o problema, uma vez que o Brasil registrou pela primeira vez um surto do vírus no primeiro semestre deste ano.
— Na manhã de hoje, foi confirmada a identificação do zika em líquido amniótico colhido de duas gestantes da Paraíba que tiveram a constatação, por ultrassom, de que a criança tem microcefalia. Os exames foram realizados pela Fundação Oswaldo Cruz, por três técnicas diferentes. E todas elas confirmaram a existência do zika, o que garante a confiança do diagnóstico. Uma dessas técnicas foi o sequenciamento de parte do material genético das gestantes — disse ele, durante coletiva de imprensa para divulgação do boletim sobre o surto de microcefalia. — O exame do líquido amniótico não é rotineiro durante a gestação, e não deve se tornar rotineiro, porque é invasivo. Não deve se tornar um método de investigação, e sim deve ser usado apenas quando houver suspeita da existência do vírus por parte da equipe médica.
De acordo com Maierovitch, essa descoberta torna "altamente provável" que a causa para o surto de microcefalia seja o vírus zika.
— Isso (a comprovação do vírus em duas grávidas) fecha o diagnóstico da correlação entre a infecção de zika e a microcefalia? O que a gente pode responder até agora é: quase. É altamente provável a correlação entre as duas coisas. Dificilmente será uma coincidência, mas estamos sendo cautelosos em relação a isso. A situação é toda nova. Nós não temos literatura médica sobre isso em qualquer lugar do mundo. Os cientistas devem nos ajudar a verificar essa relação de causa e efeito — observou ele.
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