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Energia extra de R$ 36 bilhões com a força do vento e do sol

24/11/2015

No último dia 2 de novembro, a geração de energia eólica (a partir dos ventos) alcançou inéditos 10% de toda a eletricidade gerada no país, chegando a responder, inclusive, por cerca de 45% da carga na Região Nordeste, onde ultrapassou as hidrelétricas. Já a solar começa a dar seus primeiros passos, após dois leilões bem-sucedidos neste ano. Em tempos de reservatórios vazios e questionamentos ambientais envolvendo a construção de novas usinas, as duas fontes renováveis projetam R$ 36 bilhões em investimentos até 2019. Um recorde.Apesar dos investimentos crescentes, há o outro lado da moeda. Sob o efeito colateral das incertezas provocadas pela crise econômica e pelo aumento do dólar, os leilões de novos projetos eólicos e solares vêm se deparando com um avanço do preço do megawatt-hora (MWh) médio neste ano em relação a 2014. Em alguns casos, a alta chega a 38%, aumento que o consumidor va
Com base nos leilões de energia organizados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a tarifa média das eólicas, por exemplo, atingiu há duas semanas R$ 203,46 por MWh, aumento de 38%, ante o certame de novembro de 2014 (R$ 147,49 por MWh). No caso da solar, o valor subiu 38,4%, de R$ 215,12 por MWh, no ano passado, para R$ 297,75 por MWh neste ano.
— Há um aumento claro da percepção de risco no Brasil. Os custos de financiamento estão mais altos. Há ainda a variação do preço do dólar. Mas, apesar desse avanço nos custos, as fontes renováveis vão continuar crescendo com força — diz Thais Prandini, diretora executiva da Thymos.
Élbia Silva Gannoum, presidente executiva da Abeeólica, associação que reúne as empresas do setor, diz que, mesmo com as incertezas atuais da economia, o segmento parece uma “ilha de prosperidade”. A estimativa é chegar a 2019 com potencial para gerar 20% de toda a energia do sistema elétrico do Brasil, com um total de 18.600 megawatts (MW) e R$ 24 bilhões de investimentos até 2 019.
— O crescimento seria maior se houvesse mais linhas de transmissão no país, já que hoje só vão a leilão usinas eólicas que contam com as linhas prontas. A medida visa a evitar problemas como os que tínhamos antes, ao ter um parque eólico pronto sem poder jogar essa energia no sistema. Se não fosse a eólica, o Nordeste teria tido racionamento. Lá, geramos mais energia que as hidrelétricas — diz Élbia.
E o sol também promete brilhar forte. Rodrigo Sauaia, diretor executivo da Absolar, destaca que, apesar de o dólar alto ter influenciado o custo da geração da energia solar para o consumidor, o setor vive um divisor de águas em 2015. Os dois leilões realizados neste ano vão adicionar 3.300 MW ao sistema já em 2018, gerando um investimento de cerca de R$ 12 bilhões.

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