
08/12/2015
Cientistas brasileiros descobriram três novas espécies de sapo nas montanhas cobertas pela Mata Atlântica de Santa Catarina. Os pequenos animais, com apenas pouco mais de 1 cm a 2,5 de comprimento, vivem em grandes altitudes em meio às bromélias que crescem nas regiões do alto da serra do Quiriri e em florestas no alto da serra Queimada e nos morros do Baú e do Cachorro, todas na Serra do Mar catarinense. Segundo os pesquisadores, pelo menos uma delas já pode ser considerada em risco de extinção devido à ação humana.
De acordo com os cientistas, todas as novas espécies pertencem ao gênero Melanophryniscus e são endêmicas das regiões onde foram coletadas, ou seja, só podem ser encontradas ali. Elas foram batizadas Melanophryniscus biancae, Melanophryniscus milanoi e Melanophryniscus xanthostomus, a última em alusão a uma característica peculiar da espécie, a coloração amarela (xanthos, em grego) de sua boca. Já as demais espécies homenageiam os cientistas brasileiros Bianca Luiza Reinert, ornitóloga, e Miguel Serediuk Milano, engenheiro florestal, pela suas contribuições à preservação da natureza no Brasil.
- O mais notável das espécies descobertas é que elas vivem em água acumulada pela chuva na base das folhas de bromélias terrestres, enquanto que as demais espécies reproduzem em córregos e em poças – diz Marcos R. Bornschein, pesquisador da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e primeiro autor de artigo que descreve as novas espécies, publicado esta semana no periódico científico on-line de acesso aberto “PLoS One”.
Mas mesmo quase isoladas no alto das montanhas catarinenses, as novas espécies estão vulneráreis aos impactos da ação humana, como desmatamentos, queimadas e mineração, destacam os cientistas. De acordo com os levantamentos efetuados pelos pesquisadores, a espécie Melanophryniscus biancae já deve ser classificada como em perigo de extinção, enquanto para as outras duas ainda não existem dados suficientes para saber onde inseri-las nos critérios da lista da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês).
- A nossa preocupação é com a ameaça de extinção dessas espécies - alerta Bornschein. - Mas para ter uma análise mais precisa das outras duas espécies, necessitamos ampliar nossas pesquisas em campo para avaliar a extensão de suas ocorrências e os riscos que sofrem.
Além de Bornschein, participaram da descoberta os biólogos Márcio Pie, também da UFPR, e Luiz Fernando Ribeiro, da PUCPR. Todos eles são pesquisadores associados do Mater Natura - Instituto de Estudos Ambientais.
- As novas descobertas mostram quão rica é a biodiversidade da Mata Atlântica, ainda que restem apenas 8% desse ambiente natural tão vasto e desconhecido para muitos brasileiros, apesar de concentrar cerca de 70% da população do país – destaca Malu Nunes, diretora-executiva da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, que ajudou a financiar a pesquisa, que teve apoio ainda da empresa STCP Engenharia de Projetos, da Prefeitura de Joinville e do governo federal.
Fonte: O Globo
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