
08/12/2015
Usando materiais como garrafa PET, barbante, canudo e massinha, os membros da ONG Engenheiros sem Fronteiras levam física e química durante uma hora a cerca de 40 crianças da região mais pobre do Distrito Federal. A ação começou há menos de dois meses e é motivo de euforia para o grupo de jovens moradores da Estrutural.
Toda quarta-feira às 8h da manhã, o engenheiro elétrico Daniel Morais e outros seis colegas arquitetam experiências científicas com crianças entre 6 e 14 anos. “Por enquanto é tudo experimento barato, que vemos na internet e adaptamos à nossa realidade”, diz Morais. “Com as atividades, dá para explicar na prática conceitos complicados, como propulsão e força, de forma simples.”
As crianças concordam. “Eu tenho dificuldade em ciência, mas quando eles vêm, consigo entender tudo”, diz Guilherme Sampaio, de 11 anos. O projeto conseguiu mudar a visão que alguns tinham sobre a matéria. “Acho as experiências muito interessantes. Tanto que já falei para os meus pais que quero ser cientista quando crescer”, conta Pedro Tavares, de 8 anos.
“Esse é o objetivo. A gente quer despertar neles que eles podem ser o que quiserem”, afirma Morais. “Esse trabalho é algo muito gratificante porque as crianças passam a enxergar ciência como algo interessante. E isso pode ser um incentivo para que elas talvez estudem nessa área”, diz o estudante da Universidade de Brasília (UnB) Tales Ferreira, também integrante do Engenheiros Sem Fronteiras.
As oficinas ocorrem em parceria com a ONG Coletivo da Cidade, presente na Estrutural desde 2011. São atendidas cerca de 200 crianças por dia, com ajuda de verba do governo. Para uma das coordenadoras da ONG, Jackeline Sousa, a região carece de cuidados. “É uma área que tem tudo a ver com luta por direitos”, segundo a pedagoga.
Ela afirma que o trabalho no local representa uma tentativa de “empoderar” a região. “Ao todo, 60% da população têm até 18 anos, e mesmo assim não tem nenhum colégio e nenhuma creche pública aqui”, critica. “Esse projeto de ciências foi superbem aceito porque é uma forma de ver uma coisa que é apresentada na escola de forma engessada.”
A matéria na íntegra pode ser lida no G1
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