
10/12/2015
Depois da microcefalia, o vírus zika foi relacionado a outra doença: a síndrome de Guillain-Barré, uma reação a a agentes infecciosos que provoca fraqueza muscular e paralisia. O Ministério da Saúde vinha estudando o aumento de casos, sobretudo no Nordeste. Nesta quarta-feira, a pasta confirmou a associação entre a síndrome e o vírus transmitido pelo Aedes aegypti. Mas estudos continuam sendo realizados para entender como essa relação ocorre e se há outros fatores envolvidos.
Como a doença não é de notificação compulsória, o governo federal desconhece quantas pessoas tiveram ou têm Guillan-Barré no país. Dados apontam que, no ano passado, houve 65.884 procedimentos ambulatoriais e hospitalares no SUS (incluindo internações) para tratar a síndrome. O número de procedimentos não corresponde ao número de pacientes atendidos, pois uma pessoa pode realizar mais de um atendimento.
No Brasil, a ocorrência de síndromes neurológicas relacionadas ao vírus zika foi reforçada após investigações da Universidade Federal de Pernambuco, no fim do mês passado. Amostras de seis pacientes com sintomas neurológicos registraram a presença do vírus. Do total, quatro foram confirmadas com doença de Guillain-Barré. Mas, assim como a microcefalia, o governo continua investigando como se dá a associação com o zika.
Os sintomas do Guillain-Barré começam pelas pernas, podendo irradiar para o tronco, braços e face. A síndrome, que é considerada uma doença rara, de acordo com o Ministério da Saúde, pode apresentar diferentes graus de agressividade, provocando leve fraqueza muscular em alguns pacientes ou casos de paralisia total dos quatro membros. O principal risco da síndrome é a paralisação dos músculos respiratórios, que pode levar à morte, caso não sejam adotadas as medidas de suporte respiratório.
Embora não haja números consolidados sobre casos de Guillain-Barré no país, uma vez que a notificação não é obrigatória, o aumento de diagnósticos que chamou a atenção do Ministério da Saúde, neste ano, ocorreu exatamente na mesma região onde houve uma explosão de microcefalia, sobretudo em Pernambuco. Outros estados do Nordeste registraram um aumento considerável de doentes com Guillain-Barré.
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