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Greenpeace revela bastidores dos relatórios favoráveis a poluentes

15/12/2015

Resultados de uma investigação conduzida pelo Greenpeace revelados durante a Conferência do Clima (COP-21) jogam uma enorme sombra sobre relatórios assinados por nomes importantes da comunidade científica internacional usados para pôr em dúvida as mudanças climáticas (os chamados “climatocéticos”) e promover os interesses comerciais de grandes produtoras de combustíveis fósseis.
Integrantes da ONG no Reino Unido se fizeram passar por representantes de uma companhia de petróleo fictícia no Oriente Médio, supostamente preocupados com os desdobramentos da COP-21 — que poderiam levar à redução de investimentos em energias fósseis — e encomendaram ao cientista William Happer, professor de Física da universidade americana Princeton e ex-funcionário da Secretaria de Energia dos EUA, um relatório técnico sobre os benefícios do petróleo e do gás. As conversas por e-mail, divulgadas pela ONG, indicam que rapidamente o professor teria dado um preço: US$ 250 a hora de trabalho (quase R$ 950), que deveriam ser pagos à organização CO2 Coalition.
A troca de mensagens revela que o profissional teria concordado em não revelar que o estudo teria sido financiado pela empresa de petróleo. E teria explicado que isso já havia sido feito para contradizer estudos da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre o mesmo tema.
— Nosso investigador disse que o investidor preferia ficar anônimo. Queríamos saber se cientistas estariam suscetíveis ao assédio das grandes empresas. Foi muito mais fácil do que imaginávamos — disse ao GLOBO o responsável pela comunicação do Greenpeace em Londres, Ben Stewart.
Na mesma linha, a ONG inventou uma importante companhia de carvão na Indonésia que precisava de um relatório semelhante sobre o setor ao especialista Frank Clemente, da universidade americana Penn State. O preço combinado teria sido de US$ 275 a hora. Citando documentos patrocinados pela indústria, como depoimentos em audiências públicas e artigos para jornais, o professor declarou ao Greenpeace que “em nenhum desses casos o financiador é identificado. Todos os meus trabalhos são publicados na condição de acadêmico independente”.

A matéria completa pode ser lida em O Globo

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