
08/01/2016
Para quem não gosta de calor e sofre com os termômetros — inclusive nestes últimos dias —, um aviso: vai piorar. O Met Office, instituto de meteorologia do Reino Unido, divulgou ontem a previsão de que 2016 desbancará 2015 como o ano mais quente desde o início dos registros, em 1880. A previsão é que a temperatura média global será 1,14 grau Celsius acima da observada antes da Revolução Industrial, aumentando o desafio de restringir o avanço dos termômetros a menos de 1,5 grau Celsius, como determina o Acordo de Paris, assinado semana passada na Conferência do Clima (COP-21).
Segundo o instituto, há apenas 5% de chances de a temperatura média no mundo em 2016 ser inferior à de 2015. Dois fatores explicam a quentura do ano que vem: o aquecimento global — já que a emissão de poluentes ainda é ascendente — e o fenômeno El Niño. O episódio atual é o maior desde 1998 e está atingindo seu pico neste momento, mas seus efeitos levarão alguns meses para se espalhar pelo planeta.
— O El Niño começou em setembro de 2015 e pode durar até outubro de 2016 — alerta Tasso Azevedo, coordenador do Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima. — Vivemos anos consecutivos batendo recordes de temperatura: 2014 foi o ano mais quente; depois, 2015. Podemos ter entrado em um ponto em que os eventos extremos não vão desacelerar.
Vice-presidente da Conservação Internacional no Brasil, Rodrigo Medeiros ressalta que 2016 pode não reinar muito tempo como o ano mais quente.
— Estes recordes serão constantes, ao menos nos próximos dez anos — calcula. — Será assim porque os países ainda não atingiram seu pico de emissões. Ainda veremos consequências severas para o homem e o ecossistema.
Medeiros acredita que ainda vai demorar até que as políticas de adaptação às mudanças climáticas tenham resultado.
— Não dá para tirar o navio de uma hora para outra da rota do iceberg — compara. — Por enquanto, é inevitável passar por eventos como longas estiagens, que aumentam ainda mais as temperaturas e nos jogam em uma crise hídrica. Este fenômeno, que marcou 2015, vai se repetir.
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