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Nuvem tóxica atinge 5 cidades; risco de chuva ácida é descartado

19/01/2016

Após um dia de trabalho, o Corpo de Bombeiros controlou o fogo no Porto de Santos provocado pelo vazamento de gás tóxico em um contêiner. Em outros 16 equipamentos, ainda há pequenos focos de incêndio. A fumaça tóxica é considerada pelas autoridades o principal perigo após o vazamento, já que a Defesa Civil testou a água da chuva e afastou a hipótese de chuva ácida. O teste nas águas realizados pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) também não acusou contaminação ou mortandade dos animais marinhos.
Segundo a Cetesb, não há recomendação para que turistas não venham para a Baixada Santista, apenas para que se evite o entorno do acidente. Já na noite de quinta-feira, a prefeita de Guarujá, Maria Antonieta de Brito (PMDB), pediu para os moradores da região deixarem suas casas temporariamente. O acesso ao Guarujá chegou a ser interrompido pela Ecovias, concessionária responsável pela administração das rodovias Anchieta e Imigrantes, que conectam a capital paulista às cidades da Baixada Santista. O acesso ao Porto de Santos chegou a ser interrompido durante a manhã de sexta-feira para facilitar o fluxo dos caminhões dos Bombeiros, gerando uma longa fila. A Capitania dos Portos também interditou até as 7h da manhã a entrada e saída de navios em um trecho do porto para onde a fumaça se direcionava.
A liberação do gás causou apreensão nos moradores da cidade. Moradora da região do Canal 2, em Santos, a escritora Adriana Ribeiro chegou a cogitar deixar a cidade e ficar na casa de parentes em São Paulo. Segundo Adriana, uma névoa tomou conta de sua casa.
— Entre 23h e meia noite, precisamos fechar as casas. Liguei o ar condicionado para filtrar o ar. Mal conseguia respirar. Era um cheiro muito forte, causou dor de cabeça. Eu quase fui para São Paulo para me refugiar na casa da minha irmã — conta Adriana.
A fumaça também atingiu o Pronto Socorro de Vicente de Carvalho, onde os pacientes internados foram transferidos para a UPA Boa Esperança, um dos locais designados pela prefeitura para atendimento especializado aos afetados pela fumaça.
O acidente ocorreu porque, na última quinta-feira, a água da chuva entrou em um dos contêineres da empresa de logística portuária Localfrio. Segundo a empresa, o vazamento aconteceu em apenas um contêiner por volta das 15h. O depósito guardava um composto de cloro, o dicloro isocianurato de sódio, utilizado na desinfecção de água. A reação química deu início a um incêndio que atingiu 25 dos 80 contêineres da empresa, a maioria contendo a mesma substância, e liberando uma nuvem de gás tóxico.
Nas fichas de informação sobre o composto, há o aviso de que o produto pode iniciar uma reação química capaz de incendiar materiais combustíveis próximos, resultando em incêndio de grande intensidade. Além disso, indica o gás cloro como produto de decomposição perigoso. Os contêineres depositados no entorno do local onde ocorreu o vazamento foram removidos para evitar novos focos.

A matéria completa pode ser lida em O Globo

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