
02/02/2016
Agravadas pelo violento El Niño iniciado em 2015 e ainda ativo, as queimadas castigam a Amazônia. O mês passado terminou como o janeiro com o maior número de focos de incêndio no Brasil desde 1999, início da série histórica do serviço de monitoramento por satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Foram 5.361 contra 4.637 em janeiro de 2015, até então o maior número. A maioria deles, na Amazônia. A seca trazida pelo El Niño agrava os incêndios causados pelo homem. E as perdas para a biodiversidade, alertam cientistas, são muito maiores do que parecem à vista. Mesmo que o verde volte, a riqueza biológica pode não se recuperar em muitas áreas.
Janeiro costuma ser mais chuvoso na Amazônia. Mas este ano ainda há considerável número de focos ativos de incêndio, cerca de 97% deles na Amazônia. A causa provável é o El Niño. A ecóloga brasileira Erika Berenguer, pesquisadora das universidades de Oxford e Lancaster, ambas no Reino Unido, afirma que as perdas de biodiversidade de 2015 e início de 2016 podem custar anos — talvez mesmo séculos — para serem sanadas.
— O que reaparece depois do fogo não se parece em nada com a floresta amazônica original. A mudança é brutal e evidente. Por isso estamos tão preocupados — salienta Erika, que integra a Rede Amazônia de pesquisa e o projeto Ecofor, uma parceria entre o Brasil e o Reino Unido.
Erika estuda a Floresta Nacional do Tapajós, no Pará, dentro de uma área que ainda permanece sob risco elevado de fogo, de acordo com o serviço de Monitoramento de Queimadas e Incêndios do Inpe.
— Choveu muito pouco desde setembro. As chuvas deveriam ter começado a se intensificar em dezembro, e não foi isso o que aconteceu — observa a ecóloga.
Após os incêndios, o verde não demora muito para voltar. Mas isso não é atestado de saúde da floresta.
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