
02/02/2016
Levantamento realizado pelo Parque Estadual do Desengano (PED), localizado nos municípios de Campos dos Goytacazes, Santa Maria Madalena e São Fidélis, no Norte Fluminense, alerta para o número crescente de aves apreendidas com caçadores na região. Apenas em 2015, 1.250 pássaros foram capturados fora de seu habitat natural. Em 2014, foram 778 e em 2013, 870. A espécie mais caçada foi o canário-da-terra, com 524 exemplares.
A atividade coloca em risco os visitantes, já que os caçadores muitas vezes utilizam armadilhas caseiras — os trabucos — e o próprio parque.
— Os pássaros não fazem parte da floresta, eles são a floresta. As aves são grandes disseminadoras de sementes. Cada espécie come determinada semente em condições muito específicas. Tirando estes pássaros, colocamos em risco a biodiversidade do parque — comenta Carlos Dário, gestor do PED.
As apreensões são frequentes e escancaram um mercado extremamente lucrativo: o do tráfico de animais silvestres.
— O tráfico de animais silvestres só perde em recursos movimentados para o tráfico de drogas e de armas. Há pássaros que valem mais de R$ 100 mil — conta Dário.
O gestor do PED acredita que o maior número de apreensões seja resultado de um trabalho mais intenso da unidade do Comando Policiamento Ambiental (CPAm) que atua no parque.
— O problema da caça só será superado com uma mudança cultura. Hoje, se caça por hobby ou por grana. Não existe mais a figura do caçador por déficit proteico (fome) — garante.
Responsável pelo CPAm, o coronel André Vidal conta que a presença da Mata Atlântica é algor que deve ser levado em conta para a análise dos números.
— O Rio de Janeiro é, proporcionalmente, o estado que mais tem Mata Atlântica. Este é um fator que atai atenção de caçadores. Após a captura, encaminhamos para cuidados veterinários e assim que possível o animal é recolocado na natureza — relata.
Fonte: O Globo
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