
16/02/2016
Por trás da fumaça expelida por usinas, escape de carros e fogões a lenha há um dos principais riscos de morte do mundo. A poluição atmosférica mata cerca de 5,5 milhões de pessoas por ano, segundo um novo levantamento da Universidade de British Columbia, no Canadá. Mais da metade deste contingente está em apenas dois países: a China (1,6 milhão de óbitos) e a Índia (1,4 milhão). Embora não esteja listado como uma das nações de situação mais preocupante, o Brasil viu o número de óbitos aumentar 131% em apenas 23 anos, passando de 18 mil em 1900 para 41,7 mil em 2013.
Além do crescimento desordenado das cidades, os países emergentes ainda demonstram sua incapacidade em retirar os combustíveis fósseis de sua economia e mesmo de práticas comuns no cotidiano. Na China, por exemplo, a combustão de carvão ainda obscurece os esforços para “limpar” a indústria nacional. Na Índia, o maior perigo está dentro de casa. A exposição por horas seguidas a fogões precários, movidos a lenha, carvão e querosene equivale ao consumo de 400 cigarros.
— A poluição atmosférica é o quarto maior fator de risco de óbitos no mundo e, de longe, a principal razão para desenvolvimento de doenças ligadas ao meio ambiente — assinala Michael Brauer, professor da Escola de Saúde Pública da Universidade de British Columbia e coautor da pesquisa, divulgada no encontro anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência. — Na China e na Índia, apenas 1% da população vive em áreas que atendem ao padrão de qualidade do ar estabelecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
O panorama das outras regiões do planeta é menos grave, mas poucos países se enquadram nos limites toleráveis de poluição admitidos pela OMS. É o caso, por exemplo, do Canadá e da Suíça. Alguns países europeus relaxaram as medidas de controle da qualidade do ar impostas nas últimas décadas. Uma vitrine do desleixo é Paris, onde a vista cada vez mais cinzenta levou a prefeitura a estudar a proibição da circulação de carros no centro da cidade.
No mapa, a África aparece como um dos continentes com os menores índice de poluição, o que não deve refletir a realidade. De acordo com os pesquisadores, diversos países não realizam medições da qualidade do ar, afetando o retrato sobre a saúde de sua população. É o caso de Ruanda, onde 90% da economia é baseada na queima de combustíveis fósseis.
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