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Mata que se regenera é arma contra aquecimento global, diz estudo

16/02/2016

As florestas do Brasil e de outros países tropicais das Américas são bem mais duronas do que sonham os usuários de motosserras, revela uma equipe internacional de cientistas num estudo que acaba de ser publicado. Em áreas abandonadas após o desmatamento e o uso agropecuário, a mata costuma voltar com tudo, sugando CO2 (principal gás causador do aquecimento global) num ritmo 11 vezes superior ao de uma floresta que nunca tenha sido derrubada.
Trata-se de um excelente argumento para valorizar as capoeiras, como são conhecidas no Brasil essas matas em fase de autorreconstrução. Para ajudar no esforço global contra as mudanças climática um caminho simples e barato seria simplesmente permitir que tais florestas embrionárias se regenerassem naturalmente em áreas degradadas - além, é claro, de evitar mais desmatamento.
"Pesquisadores como o alemão Manfred Denich já falavam da vitalidade das capoeiras, e é algo que víamos em estudos isolados faz tempo", declarou à Folha uma das coautoras do estudo, Ima Célia Vieira, do Museu Paraense Emilio Goeldi. "Agora, nós demonstramos isso com uma análise mais ampla de todo o Neotrópico [termo que designa o conjunto das áreas tropicais do continente americano]."
Os dados avaliados pelos pesquisadores vieram de 45 regiões das Américas, do México à Bolívia, incluindo vários locais na Amazônia, na mata atlântica e na caatinga brasileiras.
"O importante, no caso deste estudo, é que a coleta de dados em cada uma dessas áreas ficou sob a responsabilidade de um pesquisador da equipe, que repassou essas informações aos membros do grupo responsáveis por avaliar o conjunto dos dados. Essa padronização dá uma confiabilidade bem maior às conclusões", diz Pedro Brancalion, pesquisador da USP de Piracicaba que também assina a pesquisa.
A metodologia adotada pela equipe não poderia ser mais simples. Somando as amostragens das 45 regiões, foram estudados cerca de 1.500 trechos de mata em fase de renascimento. Em cada um deles, todas as árvores com tronco cujo diâmetro alcançava no mínimo 5 cm foram medidas e identificadas.
A partir daí, o grupo usou equações para estimar o total de biomassa (ou seja, a matéria vegetal) das capoeiras. Com isso, dá para saber também quanto CO2 as plantas retiraram da atmosfera, já que elas usam os componentes do gás como matéria-prima para seu crescimento. Finalmente, o grupo usou dados sobre disponibilidade de água, qualidade do solo e cobertura florestal em cada região para estimar o quanto essas variáveis influenciam a recuperação da mata ao longo do tempo.
Após 20 anos de crescimento, em média, as chamadas florestas secundárias (ou seja, que se regeneram após o desmatamento) já alcançavam as taxas elevadíssimas de absorção de gás carbônico mencionadas acima (o que dá, em números absolutos, 3 toneladas de carbono por hectare ao ano). Só após quase 70 anos de crescimento, no entanto, é que elas atingiam uma biomassa equivalente a 90% de uma floresta primária (ou seja, "madura", que ficou séculos ou milênios sem ser derrubada).

A matéria completa pode ser lida na Folha de S. Paulo

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