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Cientistas desvendam segredo da resistência das superbactérias

23/02/2016

A guerra contra as superbactérias ganhou um capítulo importante ontem, com a publicação na revista “Nature” de uma pesquisa que revela o método usado por esses micro-organismos para resistir aos antibióticos que temos hoje no mercado. O estudo explica que as superbactérias são reforçadas por uma espécie de barreira que fica do lado de fora da célula, como uma membrana externa, impedindo que medicamentos entrem e façam efeito. O grande achado dos pesquisadores foi descobrir o ponto fraco dessa barreira: a tal membrana é formada por uma engrenagem de proteínas, que para de funcionar quando uma de suas peças é deslocada.
Desenvolvido pela Universidade de East Anglia, no Reino Unido, o estudo analisa a Escherichia coli, da classe das bactérias gram-negativas — aquelas com membrana interna e externa, enquanto as gram-positivas têm somente uma interna. Com esse reforço na parede celular, as bactérias gram-negativas são muito mais difíceis de serem tratadas e podem causar doenças como meningite e cólera. Nem todas se transformam em superbactérias, mas elas são as que mais causam infecções hospitalares, sendo, por isso, as mais preocupantes para os médicos.
A E. coli, especificamente, é capaz de provocar pneumonia, doenças respiratórias e infecção urinária — cerca de 80% dos casos desse tipo de infecção, por exemplo, são causados por E. coli. Ela é fundamental para a nossa sobrevivência, sendo uma das bactérias mais importantes do sistema gastrointestinal, mas justamente por ser tão prevalente no nosso organismo, pode adquirir resistência com mais facilidade.
Na membrana externa dessa bactéria, os pesquisadores encontraram o que chamaram de complexo BAM, sigla em inglês para mecanismo de montagem barril beta, nome que se refere à forma adotada pelas proteínas. Esse complexo é o responsável por abrir ou fechar “portões” na membrana, permitindo ou não que moléculas entrem na célula. Os cientistas britânicos foram os primeiros a descrever como esse complexo é dividido em cinco partes — chamadas de BamA, BamB, BamC, BamD e BamE — e como essas subunidades trabalham juntas para controlar o que a bactéria absorve.

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