
25/02/2016
A explosão do Cambriano, período no qual a maioria dos grupos animais surgiram na Terra, aconteceu há 540 milhões de anos, mas o planeta já era habitado por ao menos um animal que surgiu 100 milhões de anos antes. É isso o que sugere análise genética realizada por pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), que confirmaram que as esponjas do mar são a fonte de uma molécula encontrada em rochas datadas com 640 milhões de anos.
— Nós juntamos evidências paleontológicas e genéticas para montar um caso robusto de que se trata realmente de um fóssil molecular de esponjas — disse David Gold, pós-doutorando do MIT e líder das pesquisas. — Esta é uma das mais antigas evidências de vida animal. Os resultados foram publicados esta semana na revista científica “Proceedings of the National Academy of Sciences”. Os paleontólogos descobriram um número extraordinário de fósseis do período que se inicia há cerca de 540 milhões de anos. Com base no registro fóssil, alguns cientistas argumentam que os grupos animais contemporâneos “explodiram” na Terra, evoluindo rapidamente de organismos unicelulares para complexos animais multicelulares em um período relativamente curto de tempo. Entretanto, os fósseis conhecidos de períodos anteriores à explosão Cambriana são peculiares e difíceis de serem encaixados em alguma linhagem evolucionária.
É nesses registros que Gold e seu professor orientador, Roger Summons, se debruçam. Eles analisam traços moleculares que sobreviveram em antigas rochas, mesmo que o resto do animal tenha desaparecido com o tempo.
— Existe a sensação de que os animais devem ser muito mais antigos que o Cambriano, porque muitos apareceram ao mesmo tempo, mas a evidência fóssil era controversa — disse Gold. — Então, algumas pessoas se interessaram na ideia de que alguns biomarcadores, moléculas e químicos deixados para trás poderiam ajudar a resolver esse debate.
Os estudos começaram há cerca duas décadas no MIT. Em 1994, Summons, orientador de Gold e coautor da pesquisa, participou das primeiras análises do 24-ipc, uma molécula de lipídio, ou esterol, em rochas do período pré-Cambriano. Na época, eles especularam que as esponjas ou seus antecessores seriam a fonte desse material. Em 2009, um pesquisador da Universidade da Califórnia, que também trabalhou com Summons, confirmou a presença desses lipídios em amostras de rochas com 640 milhões de anos, a evidência mais antiga de vida animal no planeta.
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