
01/03/2016
O americano Collin Cook, de 25 anos, estava sentado sobre sua prancha, boiando enquanto esperava pela próxima onda na praia de Left Overs, na ilha de Oahu, no Havaí, quando foi puxado bruscamente para debaixo d’água. Só entendeu o que estava acontecendo quando, submerso, viu um tubarão tigre de mais de três metros com a sua perna esquerda na boca, carregando-o para o fundo. Desesperado, socou diversas vezes o nariz do bicho até ficar livre.
Chegou à praia com a ajuda de uma pessoa que estava por perto, foi socorrido e levado a um hospital. Collin perdeu a perna, mas está vivo e bem.
O incidente no dia 9 de outubro foi um dos 98 ataques “não provocados” de tubarão registrados em 2015 (ataque provocado seria quando um mergulhador, por exemplo, é mordido ao interagir com um animal). Trata-se do maior número na História, segundo relatório do Arquivo Internacional de Ataques de Tubarão (Isaf, na sigla em inglês), do Museu de História Natural da Flórida, nos EUA. Com 30 ocorrências, a própria Flórida foi a região com mais episódios. No Brasil, foi registrado apenas o caso do turista paranaense que perdeu a mão e parte do antebraço direito ao ser mordido em Fernando de Noronha, no último dia 27 de dezembro.
Ano após ano, o número de incidentes no mundo pode variar bastante. Em 2014, foram 72. Em 2013, 75. Com 88 casos, o ano de 2000 foi o segundo com mais registros. Entretanto, de acordo com o cientista George Burgess, curador do Isaf, que contabilizou ataques registrados desde 1581, há uma curva crescente na frequência de episódios nas últimas décadas. Isto não significa, diz ele, que a população de tubarões está aumentando. O que cresce é o número de Homo sapiens se aventurando no mar, assim como o tempo que as pessoas passam em águas salgadas.
— A frequência de encontros entre humanos e tubarões está diretamente ligada à soma de tempo que as pessoas passam no mar ao redor do mundo. Uma vez que a população humana continua crescendo e que o interesse por atividades marinhas está em alta, temos que esperar um aumento no número de ataques — explica o cientista, que integra o Programa de Pesquisas sobre Tubarão do museu na Flórida.
A matéria pode ser lida em O Globo
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