
10/03/2016
A Organização Mundial da Saúde (OMS) manteve o alerta internacional sobre microcefalia e síndrome de Guillain-Barré, emitido pela primeira vez no mês passado, mas não incluiu o avanço da zika, que já afeta 52 países, como emergência. A decisão foi tomada durante a segunda reunião do Comitê de Emergência da entidade, que terminou ontem em Genebra com uma recomendação para as grávidas: elas não devem viajar para áreas com surtos de zika. Até então, não havia restrições para as gestantes — a única sugestão era que elas conversassem com seus médicos antes de irem para locais afetados. Agora, todo cuidado é pouco, diz a OMS, que também orientou as grávidas a fazerem apenas sexo seguro com parceiros que vivam ou viajem para regiões com zika. Segundo a entidade, a transmissão sexual é mais comum do que se imaginava.
— Desde 1º de fevereiro, muitas pesquisas fortaleceram a associação entre zika e microcefalia. As mulheres estão muito preocupadas e podemos entender — disse Margaret Chan, diretora-geral da OMS, que foi cautelosa ao responder, durante entrevista na Suíça, se as mulheres brasileiras deveriam evitar a gravidez. — O que posso dizer é que as mulheres grávidas devem se proteger do mosquito Aedes aegypti e ser informadas sobre todas as possibilidades para evitar o contágio pelo vírus zika.
Antes mesmo de saber que a OMS iria recomendar que gestantes não fossem para áreas com surtos de zika, a carioca Paula Bahiana, que mora há quatro anos em Los Angeles, onde tem uma empresa de pet sitter, já tinha desistido de vir ao Brasil. Grávida de 12 semanas, ela perdeu um bebê na última gestação, e não quer arriscar.
— Planejava ir ao Brasil este ano, mas depois que soube da gravidez, em janeiro, e comecei a escutar notícias sobre zika, desisti. Até agora, me parece que não se sabe o suficiente sobre o zika. Escutei histórias de que haveria risco de microcefalia até mesmo anos depois de se contrair o vírus. As consequências são tão graves que não pretendo ir ao Brasil tão cedo. Precisava resolver vários problemas, mas dei uma procuração para minha irmã. Não vou nem mesmo quando o surto passar. Já tive dengue duas vezes e sei que esse mosquito não vai embora, só fica pior. Antes, transmitia só dengue, agora também passa zika e chicungunha — diz Paula.
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