
15/03/2016
Paleontólogos descobriram, no Rio Grande do Sul, um fóssil excepcionalmente bem-conservado do crânio de um réptil primitivo nunca antes descrito que viveu há 250 milhões de anos na região. A nova espécie recebeu o nome de inspiração indígena Teyujagua paradoxa. Na língua guarani, Teyujagua significa “réptil feroz”.
De acordo com o paleontólogo Felipe L. Pinheiro, professor da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), a espécie tem características intermediárias entre os répteis primitivos e o grupo dos arcossauriformes, do qual fazem parte os dinossauros e os pterossauros, além das aves e jacarés atuais. O achado, portanto, traz informações importantes sobre início da evolução desse grupo.
O crânio foi descoberto no começo de 2015 durante trabalho de campo na formação geológica Sanga do Cabral, em São Francisco de Assis-RS. Segundo Pinheiro, essa formação já era conhecida por ter fósseis, mas os que tinham sido encontrados até então eram pequenos e fragmentados.
“É uma formação muito importante porque registra uma época da história da vida na Terra logo após uma grande extinção que ocorreu no final do período permiano. A formação é do triássico inferior e registra uma etapa em que a vida está se reestruturando após essa extinção em massa”, diz o paleontólogo. Essa grande extinção, ocorrida há 252 milhões de anos, eliminou cerca de 90% das espécies do mundo.
Ele conta que logo que seu grupo encontrou o crânio de 11 cm, teve certeza de que era uma coisa nova. O Teyujagua paradoxa era um réptil quadrúpede que tinha no máximo 1,5 m de comprimento, dentes serrilhados e curvados e narinas posicionadas no topo do focinho, o que se encontra geralmente em animais aquáticos ou semiaquáticos. Era um animal carnívoro generalista, ou seja, não muito seletivo quanto ao seu cardápio, alimentando-se de anfíbios e pequenos répteis.
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