
22/03/2016
Um levantamento divulgado ontem pela SOS Mata Atlântica indicou a situação precária dos rios, córregos e lagos do bioma. Entre 289 localidades analisadas, distribuídas em 11 estados e no Distrito Federal, 36,3% tinham água de qualidade ruim ou péssima. Outros 59,2% registraram situação regular e apenas 4,5% conseguiram boa avaliação.
Os dados foram coletados mensalmente entre março de 2015 e o mês passado. O estado do Rio não apresenta pontos com boa qualidade de água em nenhum dos 27 rios analisados. Vinte e dois estão em situação de alerta com condições regulares — localidades que se encaixam nesta categoria são poluídas, mas passíveis de tratamento para que a água seja aproveitada no abastecimento humano e na produção de alimentos.
Outros cinco pontos de medição, no entanto, registraram condições péssimas ou ruins. Entre eles estão os rios Joana, Méier, Maracanã, Rio Comprido e um trecho do Carioca.
— São rios mortos e fétidos — descreve Malu Ribeiro, coordenadora da Rede das Águas da SOS Mata Atlântica. — Há uma série imensa de substâncias químicas ligadas a dejetos industriais e agrotóxicos.
De acordo com Malu, os indicadores precários apontados pela pesquisa devem-se a fatores como a expansão da cidade em direção a áreas de manancial, o despejo inadequado de lixo urbano e o desmatamento. Os municípios também ignoram providências básicas para assegurar a integridade dos rios. O Plano Nacional de Saneamento Básico, que propõe a universalização do saneamento no país até 2020, teve o prazo prorrogado para 2033.
A qualidade da água de diversos rios despencou durante a estiagem entre 2014 e 2015. Os temporais que tomaram a Região Sudeste desde então trouxeram uma pequena melhora nos rios cariocas, contribuindo para a diluição dos poluentes e a diminuição dos impactos causados pelo odor à população. Malu, no entanto, alerta que a alta pluviosidade teve efeitos opostos em outras metrópoles e reivindica novos instrumentos para a previsão do tempo, hoje limitada a um período muito curto.
No Rio, as medições foram concentradas na região do Paraíba do Sul — principal responsável pelo abastecimento na Baixada Fluminense e na capital do estado —, nos mananciais da Região Serrana e na Baía de Guanabara.
— O programa de despoluição da Baía de Guanabara e do Rio Tietê começaram logo após a Rio 92. No entanto, ao contrário do que ocorreu em São Paulo, o programa carioca foi interrompido a cada troca de governo — lamenta Malu.
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