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Marcas de roupas e acessórios mudam produção e minimizam impacto ambiental

24/01/2017

As mudanças são invisíveis aos olhos e podem não ser percebidas ao toque. É numa revolução quase silenciosa que materiais destinados a virar lixo ganham novo significado e se tornam agentes do consumo consciente. Mais do que adiantar tendências em passarelas e desfiles, quem os usa para criar moda pensa e quer fazer pensar nas consequências que os hábitos atuais podem trazer para as próximas gerações.
Na região, marcas criadas e mantidas por moradores de comunidades se transformam em capacitação, renda e meio de preservação ambiental. Grifes conceituadas também dão sua contribuição. As iniciativas ainda são poucas, mas, afinal, é preciso começar.
À frente da Malha, coletivo de marcas voltadas para a produção de moda sustentável que manteve por seis meses uma pop-up no Rio Design Barra, André Carvalhal, ex-diretor de marketing da Farm, reconhece que a preocupação socioambiental vem, muitas vezes, atrelada a um produto mais caro. Mas observa que algumas estratégias, aliadas à criatividade, podem ajudar a driblar os valores elevados.
— Quando se trabalha com upcycling, reúso da sobra, acaba-se conseguindo ter um custo muitas vezes mais baixo do que o da matéria-prima virgem. E consegue-se, assim, passar essa redução também para o público final — salienta Carvalhal, apontando alternativas para se conceber peças exclusivas sem gerar grandes demandas de produção. — Por exemplo, uma marca pode trabalhar garimpando jeans para reformar e revender. Você compra uma peça num brechó ou numa feira e sua produção fica mais em conta do que se comprasse o jeans para confeccionar o produto.
A conscientização e a vontade de tomar medidas práticas provocam mudanças no ciclo produtivo de algumas empresas — que, além de estarem preocupadas com o futuro do planeta, sabem que os consumidores estão cada vez mais dispostos a dar preferência às marcas comprometidas com essa causa. Uma máquina de ozônio usada pela catarinense Damyller há seis anos vem proporcionando uma economia mensal de 3,3 milhões de litros de água (ou 61%) e de uma tonelada de produtos químicos que antes eram aplicados na lavagem do denim, tecido que é carro-chefe da marca.
A tecnologia, espanhola, imprime um aspecto vintage ao tecido sem agredir os fios, dando-lhe um ar envelhecido. As modificações durante a fabricação são imperceptíveis para quem olha as peças expostas na loja do BarraShopping, única do estado. Mas fazem diferença.
O empenho em aprimorar sua produção deu à Damyller o prêmio Ecoera 2016, destinado a empresas que se destacam na área ambiental, na categoria Planeta. A marca usa água retirada de um rio próximo à sua fábrica, em Nova Veneza, Santa Catarina. Antes de ser devolvida à natureza, ela passa por um longo e complexo processo de purificação.
— A preocupação ambiental nasceu conosco, existe desde a nossa fundação — diz Damylla Damiani, consultora de estilo da marca. — Nossa primeira estação de tratamento de efluentes teve início em 1989. Investimos forte em tecnologia para produzir o melhor produto, com muito respeito à natureza.

A matéria na íntegra pode ser lida em O Globo

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