
02/02/2017
Um novo estudo alerta que mais de 100 sítios do Patrimônio Mundial Natural estão sendo gravemente danificados pela invasão de atividades humanas. O estudo, conduzido por uma equipe internacional de pesquisadores da Universidade de Queensland (Austrália) e da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN), entre outras instituições, foi publicado esta semana na revista “Biological Conservation”.
Os Sítios do Patrimônio Mundial Natural, escolhidos por um processo formal da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), são globalmente reconhecidos por conter alguns dos mais valiosos recursos naturais do planeta.
Os pesquisadores analisaram a pressão humana ao longo do tempo usando os critérios atuais de “pegada humana” global, interferências que incluem a construção de estradas, agricultura, urbanização e infraestrutura industrial, juntamente com a perda de florestas.
Com o levantamento, descobriram que a “pegada humana” aumentou em 63% dos sítios em todos os continentes, exceto na Europa, nas últimas duas décadas. Os sítios mais impactados foram encontrados na Ásia, como o Parque Nacional Chitwan, no Nepal.
No Brasil, os sítios naturais mais ameaçados são o Parque Nacional do Iguaçu, o Complexo de Conservação do Pantanal, as Reservas de Mata Atlântica do Sudeste e o Complexo de Conservação da Amazônia Central.
Considerando a perda florestal, entre os parques mais impactados estavam a Reserva da Biosfera do Rio Plátano, em Honduras, que perdeu 365 km² (8,5%) de sua floresta desde 2000. Mesmo lugares célebres, como o Parque Nacional de Yellowstone (EUA), foram impactados, perdendo cerca de 6% de suas florestas.
— Estes sítios devem ser totalmente protegidos — reivindica James Allan, coautor do estudo e pesquisador de Queensland. — Um sítio que perde até 20% de sua área florestal em duas décadas enfrenta uma situação alarmante que ser resolvida.
Segundo Allan, a maior surpresa não foi o prejuízo a um sítio em particular, mas ao fato de que "dez ou 20 sítios no mundo estão severamente prejudicados e parece que o risco sofrido não pode ser reparado".
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