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Pesquisadores se unem a empreendimento rural para aproveitar resíduos do palmito pupunha

21/02/2017

A extração de palmito para fins comestíveis gera uma grande quantidade de rejeitos orgânicos, como tronco e folhas. Apesar de frequentemente ser descartado no lixo ou queimado na roça, esse material pode ser usado pelo setor produtivo como uma matéria-prima sustentável, reduzindo os impactos ambientais e gerando renda. Uma parceria entre pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e um empreendimento rural, a Kaapora Design, situado na fazenda Reserva Botânica das Águas Claras, no município de Silva Jardim, na Região fluminense das Baixadas Litorâneas, propõe um destino ecologicamente correto aos resíduos do palmito pupunha – um tipo de palmeira da região Norte do Brasil, de onde se extrai o palmito ainda jovem, com no máximo três anos. A ideia é aproveitar as fibras naturais presentes no tronco dessa planta para a produção de embalagens e outros materiais, úteis para a construção civil.
“Com o objetivo de encontrar novas aplicações para esse rejeito agrícola, nosso grupo de pesquisa na UFRJ se associou a Kaapora Design e à Reserva Botânica (ReBAC), para desenvolver compósitos, que são materiais formados pela mistura de polímeros com um alto teor de fibras celulósicas, extraídas do palmito pupunha”, explica a química Bluma Guenther, professora e coordenadora do Laboratório de Misturas Poliméricas do Instituto de Macromoléculas Professora Eloisa Mano (IMA), da UFRJ. “Na universidade, estamos testando o desenvolvimento desses compósitos desde 2012 e investigando as suas propriedades mecânicas, com testes de tração e compressão, para saber como podemos fabricar placas com mais resistência e durabilidade. Além disso, estudamos como produzir compósitos que gerem o menor nível de emissão de carbono para a atmosfera quando queimados, e a sua capacidade de isolamento acústico, com testes coordenados por Lavinia Borges, no Departamento de Engenharia Mecânica da UFRJ”, resume.
Os testes também são realizados no Laboratório de Reciclagem do IMA, coordenado pela engenheira química e professora Elen Pacheco. Esse trabalho de pesquisa, que extrapola os muros da academia, pode gerar um amplo leque de produtos. “Uma das aplicações possíveis desse compósito produzido a partir das fibras do palmito pupunha será na fabricação de embalagens produzidas com polímeros biodegradáveis para mudas de plantas”, conta Bluma, com sua experiência na área de engenharia de materiais. “Outra proposta é aproveitar os resíduos da extração do palmito na fabricação de divisórias para casas populares, em uma parceria futura com a indústria. Seria uma oportunidade de agregar valor a um resíduo vegetal agroindustrial, pois as fibras naturais aumentam a resistência desse material e podem ajudar a torná-lo mais barato para o consumidor”, pondera. O projeto foi contemplado pela FAPERJ por meio do Auxílio à Pesquisa (APQ 1).

A matéria pode ser lida no site da Faperj

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