
21/02/2017
O ponto de partida foi o pedido do líder comunitário Otávio Barros, que queria um modo de resolver o problema do tratamento de esgoto sanitário na comunidade do Vale Encantado que, como o nome bem sugere, é um enclave de 27 casas em meio ao verde da Floresta da Tijuca, no Alto da Boa Vista. Para os pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio), Leonardo Adler e Tito Cals, que há sete anos conheciam o potencial do biodigestor em sistemas de pequena escala, o problema seria um bom meio de testar na prática o que andavam pesquisando.
Desafio aceito, Adler e Cals procuraram o apoio do professor Tácio de Campos, Cientista do Nosso Estado, da FAPERJ, e coordenador do Núcleo de Excelência em Geotecnia Ambiental do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da PUC-Rio, e foram pesquisar o que já havia sido feito nesse campo. A equipe estudou o modelo indiano, que vem sendo instalado naquele país desde 1939, e o modelo chinês, que, nos anos 1970 já contava com mais de 7 milhões de sistemas do gênero instalados, aproveitando esterco animal para gerar gás em zonas rurais. No Brasil, uma organização não-governamental, o Instituto Ambiental (OIA), foi criada para gerir o primeiro sistema implantado no município de Silva Jardim pelo instituto alemão Hamburger Umweltinstitut, projeto que mais tarde foi estendido à região de Petrópolis.
“Para a construção do projeto na comunidade do Vale Encantado, celebrou-se acordo de transferência de tecnologia entre a PUC-Rio e a organização não-governamental Viva Rio, que contratou um dos fundadores do OIA, Valmir Fachini, para construir biossistemas no Haiti. Naquele país já foram construídos aproximadamente 100 biossistemas. Parte da mão de obra utilizada é de moradores da própria região”, diz o coordenador Tácio de Campos. Para implantanção do sistema no Vale Encantado, a equipe também contou com recursos do Auxílio Básico à Pesquisa (APQ 1), da FAPERJ.
Para quem ainda não ligou o nome ao objeto, biossistema é a integração das etapas anaeróbica e aeróbica do tratamento de esgoto. A biodigestão é a primeira etapa. Nela, os resíduos passam pelo biodigestor, uma câmara inteiramente fechada, onde não há entrada de oxigênio, o que favorece a proliferação de bactérias anaeróbicas que digerem aquela matéria orgânica presente nos esgotos domésticos, gerando, em contrapartida, biogás, que nada mais é do que uma combinação dos gases metano, carbônico e sulfídrico. Com a vantagem que o biogás gerado pode ser muito bem aproveitado, alimentando, por exemplo, um fogão, ou mesmo um aquecedor. “Em escalas maiores é possível gerar energia elétrica ou até combustível automotivo”, anima-se Adler.
A matéria pode ser lida no site da Faperj
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