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Número de doenças emergentes quadruplicou em 60 anos

23/02/2017

Um levantamento realizado pela Aliança EcoHealth, organização sem fins lucrativos dedicada ao estudo de doenças emergentes, afirma que o surgimento de novas enfermidades quadruplicou nas últimas seis décadas. Vinte e sete foram identificadas na América Latina e no Caribe entre 1940 e 2013. O Brasil lidera o ranking — oito delas estão presentes no território nacional.
A cada ano, as doenças infecciosas provocam a morte de mais de 15 milhões de pessoas no mundo — a maioria das vítimas são crianças de menos de 6 anos de idade.
Diretor do Departamento de Doenças Transmissíveis e Análise de Saúde da Organização Pan-Americana de Saúde, Marcos Espinal sublinha que a América Latina e Caribe registram um “número crescente de eventos de possível interesse para a saúde pública internacional”. Só em 2014 foram identificados e avaliados 93 eventos com estas características.
O prejuízo causado pelas enfermidades é visível em muitos países e exige grandes investimentos dos governos. O combate à dengue custa, em média, US$ 2,1 bilhões por ano na região. Em 2009, o surto da gripe H1N1 afastou 500 mil turistas do México, provocando uma perda estimada de US$ 2,8 bilhões no setor turístico.
Entre as doenças infecciosas emergentes estão casos novos e outros já conhecidos pelos cientistas. Alguns deles são registrados pela primeira vez em determinado lugar. É o caso do vírus zika, que se espalhou pela América Latina em 2016 e levou a uma emergência de saúde global. Ele foi identificado pela primeira vez na Floresta de Zika, em Uganda em 1947. A novidade foi sua chegada e expansão pelo continente americano.
De fato, segundo um estudo da Universidade Brown (EUA), o número de surtos por ano quase triplicou desde a década de 1980.
— Surtos não respeitam fronteiras — disse Espinal, em entrevista à BBC Munddo. — Vivemos em um mundo globalizado, onde você pegar um avião em Nova York e chegar oito horas depois em Moscou.
Além da globalização, outros fatores devem ser considerados, como as mudanças climáticas, a resistência de micro-organismos a determinadas terapias e a falta de serviços básicos, como saneamento.

Saiba mais em O Globo

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