
09/03/2017
Nos últimos meses da administração do prefeito Eduardo Paes, uma série de obras foi paralisada ou teve seu andamento desacelerado na cidade. A situação ficou ainda mais complexa após a posse do novo gestor municipal, Marcelo Crivella, que determinou a revisão de todos os contratos em andamento. Como resultado, há dezenas de projetos em compasso de espera, segundo os cálculos da própria prefeitura, como afirmou o superintendente da Barra, Thiago Barcellos, numa reunião do Conselho Comunitário de Segurança da Barra realizada em fevereiro.
Na região, os exemplos são muitos, espalhados por bairros como Itanhangá, Barra, Recreio e Jacarepaguá. Há projetos cujas licitações foram feitas mas as construções não chegaram a ser iniciadas; há outros parados ou, ao que tudo indica, até mesmo abandonados. As Clínicas da Família, uma das meninas dos olhos do governo anterior na área de saúde, estão entre as mais sacrificadas. Em novembro de 2015, na última fase de expansão, a Secretaria municipal de Saúde anunciou que seriam construídas 50 unidades, custeadas por uma verba de R$ 100 milhões liberada pela Câmara Municipal. Destas, 14 seriam feitas na região entre Barra e Jacarepaguá, mas, segundo balanço dos atuais responsáveis pela pasta, feito a pedido do GLOBO-Barra, apenas quatro foram inauguradas: a Helena Besserman Vianna, em Rio das Pedras; a Barbara Mosley de Souza, no Anil; a Maicon Siqueira, no Camorim; e a Gerson Bergher, na Praça Seca. As unidades paradas ficam na Muzema, no Recreio, na Taquara, na Colônia Juliano Moreira, na Cidade de Deus, na Praça Seca e em Curicica.
A clínica do Recreio, que atenderia principalmente ao Terreirão, começou a ser erguida na Avenida das Américas, logo após o Recreio Shopping. No último mês de dezembro, a antiga gestão da prefeitura informou que a obra tinha sido licitada e estava em fase de terraplanagem e fundação. Atualmente, seu futuro é duvidoso: o canteiro está abandonado. Enquanto isso, o posto de saúde Harvey Ribeiro de Souza Filho, também no bairro, vem acumulando serviços que deveriam ser realizados por uma Clínica da Família, como atendimento preventivo.
A situação é frustrante para moradores como Valéria Cruz, que em 2015 liderou um abaixo-assinado pela construção de uma UPA no Recreio, já que a unidade de saúde emergencial mais próxima do bairro é o Hospital Lourenço Jorge:
— Naquele ano, o secretário de Saúde nos disse que não seria possível fazer a UPA, por causa do alto custo, mas prometeu uma Clínica da Família. No final de 2015 a obra foi lançada, com a presença de diversos políticos e moradores. Todos estavam felizes. Mas nunca mais tivemos notícias do projeto, que ficou abandonado.
A matéria pode ser lida em O Globo
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