
13/04/2017
Dados inéditos obtidos pelo GLOBO com companhias públicas de limpeza mostram que as maiores cidades brasileiras estão engatinhando na reciclagem de seu lixo, apesar de todas terem metas para crescimento nos próximos anos. No Rio, apenas 1,9% de todo o lixo produzido na cidade é destinado à reciclagem; em São Paulo, a proporção é de 2,5%. No Distrito Federal, que tem Brasília, a terceira maior cidade brasileira segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 5,9% do lixo total passam pela coleta seletiva. Estudos mostram que uma cidade tem, em média, de 30% a 40% de seus resíduos com potencial para a reciclagem.
Há ainda outro indicador de que o ciclo não está funcionando a todo vapor: a ociosidade nas centrais de triagem (CTs), locais normalmente conduzidos por cooperativas onde, de fato, a reciclagem acontece. No Rio, as duas centrais de triagem que recebem resíduos — além de outras 24 cooperativas, cujos dados, porém, não são centralizados pela prefeitura — processaram em janeiro cerca de 25% do volume que têm capacidade para reciclar.
A CT de Bangu pode reciclar 30 toneladas por dia, mas recebeu 5,67 toneladas diárias em janeiro, volume abaixo da média dos últimos seis meses, de 6,16 toneladas. Já a CT de Irajá tem capacidade para reciclar 20 toneladas, mas recebeu apenas 6,29 toneladas em janeiro — também abaixo da média para o semestre, de 6,59 toneladas. A estrutura de ambas CTs foi construída com financiamento que contou com verbas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Segundo a Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb), a reciclagem chega hoje a 113 dos 160 bairros do Rio de Janeiro, através da coleta seletiva porta-a-porta, em dias alternados da coleta domiciliar. Para tal coleta, são mobilizados 13 caminhões — que tiveram suas rotas alteradas, segundo a Comlurb, para otimizar a coleta e fazer frente à ociosidade decorrente do pouco material disponibilizado pela população.
Presidente da cooperativa Coopfuturo, que opera na CT de Irajá, Evelin de Brito atribui a ociosidade também a uma diminuição no número de caminhões destinados à coleta seletiva. A Comlurb reconheceu que houve uma diminuição em 2017, sem no entanto especificar números. “Houve uma pequena redução da frota sem perda no sistema de coleta, pois os roteiros foram otimizados para que os caminhões façam a cobertura total até completar a carga”, afirmou a companhia em nota.
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