
18/04/2017
Humanos e árvores têm mais características em comum do que se supõe. Assim como nós, elas são mais fortes em grupo. Vivem em sociedade, compartilham nutrientes, protegem-se em conjunto de fatores como o excesso de calor e de frio. Seguem, também, um manual de etiqueta tácito, que dita sua aparência e o que devem fazer. A divisão de tarefas abrange até os indivíduos mais velhos e fracos, e os filhos merecem atenção especial. Assim como nós, as árvores não estão rodeadas apenas por aliadas. Mantêm, às vezes até a morte, uma rivalidade com outras espécies e invadem seu espaço, competindo por sol e alimento — e são capazes de liberar sinais para atrair predadores dessas espécies “inimigas” por uma rede de comunicação formada por fungos, que se expande por diversos quilômetros.
Em entrevista ao GLOBO, Peter Wohlleben denuncia a negligência humana no trato com o meio ambiente — um comportamento que, segundo ele, poderia ser modificado se aprendêssemos o que as árvores sentem e como se comunicam.
O senhor organizava treinamentos de sobrevivência na floresta de sua cidade quando passou a se interessar por árvores. Como foi isso?
Foi em um dia em que descobri pedras cobertas de musgo. Quando eu me abaixei, reconheci que eram restos de um tronco velho. Ele ainda estava vivo, embora a árvore tivesse sido cortada há cerca de 400 anos. Como isso poderia funcionar? Nenhum ser vivo aguenta séculos de jejum. A única explicação era que aquele tronco recebia nutrientes das árvores vizinhas. As árvores não são egoístas, elas cuidam uma das outras. Esta foi, até agora, a visão que mais me fascinou em meus estudos. Eu não conhecia uma colaboração que durasse tanto tempo.
Não existe uma competição pelos mesmos recursos?
Não, se estivermos falando de árvores que são da mesma espécie. É como a espécie humana: juntos somos mais fortes. Isso não significa que não há evolução. Há árvores que se adaptam melhor a novas condições climáticas ou a ataques de insetos do que outras. As mais jovens recebem um grande apoio de suas mães, é como se fossem “amamentadas”. Todas precisam de vizinhas, uma grande comunidade que determinará o microclima local, como por exemplo um ar mais úmido, que impeça que todos os membros sofram com a seca.
A entrevista pode ser lida em O Globo
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